Mundo de ficçãoIniciar sessãoCapítulo 8 – Verdades Escondidas
O sol entrava suavemente pelas cortinas do quarto quando Angelina abriu os olhos. Ela olhou para o lado: o lugar onde Salvatore dormia estava vazio, o lençol já frio. Ficou ali por um instante, deixando vir a lembrança da madrugada: os dois abraçados com força, o nariz dele afundado nos seus cabelos, o hálito quente no pescoço, os beijos lentos até a mordida leve no lóbulo da orelha. Um sorriso satisfeito apareceu em seus lábios, e ela se levantou devagar. Tomou um banho demorado, vestiu um vestido de algodão cor creme que valorizava suas curvas, soltou os cabelos sobre os ombros e desceu para o salão de jantar. Salvatore já estava ali, lendo o jornal, com a postura impecável de sempre. — Bom dia — disse ela suavemente. Ele apenas fez um breve aceno, sem desviar os olhos da leitura. O café seguiu em silêncio. Quando Angelina terminou e se levantou para sair, a voz dele rompeu o silêncio da sala. — Espere. Preciso falar com você. Ela voltou a se sentar. Salvatore permaneceu alguns segundos com os olhos fixos no jornal, como se a deixasse esperar de propósito. — Dormiu bem? — perguntou, finalmente. Ela franziu levemente a testa, surpresa com a pergunta. — Dormi. Ele dobrou o jornal com calma, colocou-o sobre a mesa e se levantou. — Que bom... porque eu passei boa parte da noite pensando na sua gracinha de ontem. Angelina manteve a expressão inocente. Salvatore caminhou até ela com passos lentos e seguros. Parou bem à sua frente, segurou seu braço com firmeza e a fez levantar, aproximando seus corpos até não haver espaço entre eles. Os olhos escuros dele prenderam os dela. — Pensa que eu não percebi o que você tentou fazer ontem à noite? Angelina arqueou uma sobrancelha, fingindo total desentendimento. — Como assim? O que eu fiz? Eu só fui gentil com o meu marido. Ele soltou uma risada baixa, carregada de sarcasmo. — Gentil... — repetiu, aproximando ainda mais o rosto do dela. — Você tem um jeito bem curioso de demonstrar gentileza. Num movimento rápido, virou-a de lado, segurou sua cintura com firmeza e a conduziu até a parede, prendendo-a entre seu corpo e a superfície fria. A boca dele parou ao lado da orelha dela, e sua voz saiu baixa, grave e firme. — Você quer jogar esse jogo, não quer? Quer descobrir até onde consegue me provocar? A mão dele deslizou lentamente pela lateral de sua perna, subindo devagar por baixo do vestido. — Então aprenda uma coisa... você escolheu brincar justamente comigo. Os dedos continuaram o caminho, sem pressa, enquanto ele inspirava profundamente o perfume que vinha de sua pele. — Eu inventei as regras desse jogo... e ninguém vence um jogo quando o adversário sou eu. Ele roçou os lábios em seu pescoço, deixando um beijo demorado antes de morder de leve o lóbulo de sua orelha. Bastou aquele contato para que um arrepio percorresse todo o corpo dela. — Você realmente achou que conseguiria me provocar... e sair ilesa? A mão dele parou exatamente onde ela mais desejava, sem completar o movimento. Angelina prendeu a respiração. Seu corpo inteiro esperava pelo próximo toque. Mas ele simplesmente... parou. Salvatore afastou a mão, soltou-a de uma vez e deu um passo para trás. Um discreto sorriso de satisfação surgiu em seus lábios. — Pronto. Os olhos dele passearam pelo rosto dela, observando cada reação. — Agora você vai passar o resto do dia sentindo exatamente o que eu senti a noite toda. Essa vontade que está queimando em você vai continuar aí... sem alívio. Ele deu mais um passo para trás e ajeitou calmamente o punho da camisa. — Nunca esqueça de uma coisa, Angelina... o seu desejo depende da minha vontade. Ela permaneceu imóvel, respirando com dificuldade, dividida entre a raiva e a frustração. — Até mais tarde, esposa. Sem esperar resposta, virou-se e saiu da sala, deixando apenas o som firme de seus passos ecoando pelo corredor. Angelina permaneceu imóvel por alguns segundos, tentando controlar a própria respiração. Ainda sentia o calor das mãos dele sobre sua pele e a firmeza de sua voz ecoando em sua mente. Respirou fundo, passou as mãos pelos cabelos e tentou recuperar a compostura. Foi então que o celular vibrou sobre a mesa. A tela iluminou com o nome de Clara. Ela atendeu imediatamente. — Alô? — Amiga, eu preciso falar com você! Me encontra no shopping agora, é urgente! Por favor... é muito importante! — A voz da amiga soava aflita, embora tentasse manter o controle. Angelina franziu a testa. — O que aconteceu? Está tudo bem? — Não posso explicar por telefone. Só venha. Confia em mim. A urgência na voz de Clara era suficiente para afastar qualquer dúvida. — Tudo bem. Estou indo agora. Assim que desligou, pegou o celular novamente e enviou uma mensagem para Salvatore. — Vou ao shopping encontrar a Clara e comprar algumas coisas. Já estou saindo. A resposta veio poucos segundos depois. — Tudo bem. Leve os seguranças com você. Já avisei a eles. Angelina guardou o aparelho na bolsa e desceu até a entrada da mansão. Os homens da segurança já a aguardavam. — Vamos. Ela entrou no carro, e o veículo deixou a propriedade, seguido de perto pelo automóvel dos seguranças. Durante o trajeto, tentou afastar da mente a conversa que acabara de ter com Salvatore, mas era inútil. Quanto mais buscava se concentrar em outro assunto, mais sua voz voltava à sua memória, acompanhada da sensação do toque que ele interrompera de propósito. Incomodada consigo mesma, desviou o olhar para a janela e respirou fundo. Poucos minutos depois, chegaram ao shopping. Assim que desceu do carro, avistou Clara esperando um pouco afastada do movimento principal. A amiga olhava discretamente para os lados e apertava a alça da bolsa com tanta força que os dedos estavam esbranquiçados. Aquilo só aumentou a inquietação de Angelina. Ela caminhou até os seguranças. — Podem ficar de olho, mas não precisam ficar tão próximos, por favor. Queremos conversar com calma. Eles apenas assentiram e recuaram alguns passos, mantendo a distância sem deixar de observá-las. As duas seguiram para uma loja de roupas femininas. Clara passou os dedos por um vestido exposto no cabide e, num tom de voz alto o suficiente para qualquer pessoa ouvir, comentou com naturalidade: — Olha só, amiga! Esse modelo combina muito com você, não acha? Angelina lançou um rápido olhar para a peça, ainda sem entender. — Ah... não sei. Acho que esse tecido não faz muito o meu estilo. Clara aproximou-se discretamente, tocou de leve o braço dela e falou quase num sussurro: — Confia em mim. Faz exatamente o que eu estou pedindo, por favor. No instante seguinte, voltou a falar normalmente, abrindo um sorriso. — Vai experimentar. Tenho certeza de que vai ficar linda em você. Aquele provador ali está vazio. Angelina acompanhou a direção apontada pela amiga. Naquele momento, compreendeu que havia algo muito maior por trás daquela conversa. Assentiu discretamente e caminhou pelo corredor reservado. Parou diante da porta indicada. Respirou fundo. Então girou a maçaneta e entrou. A luz fraca iluminava o pequeno ambiente. Por um breve instante, seus olhos precisaram se acostumar com a penumbra. E então ela a viu. Parada, completamente imóvel no canto mais escuro do provador, estava Sofia. Sua irmã. A mesma pessoa que todos acreditavam estar desaparecida e correndo perigo. Angelina deu um passo para trás por puro reflexo. A mão subiu rapidamente até a boca, abafando o grito que quase escapou. Os olhos arregalados permaneciam presos naquela imagem. Ela não conseguia distinguir se aquilo era real ou apenas uma ilusão provocada pelo choque. O mundo ao seu redor pareceu desaparecer. Tudo o que conseguia enxergar era Sofia, viva, diante dela.






