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Capítulo 7 – Segredos e Provocações

A tarde caiu suave sobre a mansão quando o carro de Clara parou na entrada principal. Os guardas a pararam como faziam com qualquer visita, mas Angelina já estava esperando na porta, de cabeça erguida.

— É uma visita autorizada — disse ela com firmeza, sem dar espaço para questionamentos. — Pode deixar ela entrar.

Os homens trocaram olhares, mas acabaram abaixando as armas e abrindo caminho. Clara sorriu de leve para eles, mas assim que ficaram fora de ouvido, virou-se para Angelina:

— Nossa, que segurança mais rigorosa! Mas como você disse, eu sabia como me portar. Não sou de fazer escândalo.

— Vamos para a sala de estar — sugeriu Angelina, disfarçando a ansiedade. — Assim ninguém fica curioso.

Sentaram-se no sofá de veludo, com uma distância educada, enquanto os empregados serviam chá. Assim que se afastaram, Angelina se inclinou um pouco para a frente.

— Você trouxe o que eu pedi?

Clara olhou ao redor com cuidado, tirou o pequeno pacote do bolso interno do casaco e entregou diretamente na mão dela. Angelina olhou rápido para os lados, conferiu que ninguém observava e enfiou o pacote bem no fundo do bolso do vestido, apertando-o contra si.

— Trouxe. Mas antes de eu ir... preciso entender por quê. — A voz dela ficou mais baixa. — Eu sempre pensei que, quando uma mulher se casava com um Don, o primeiro desejo era logo dar herdeiros. Não é o que todos esperam?

Angelina segurou o pacote ali dentro, pensativa por um instante antes de responder.

— As coisas não são como parecem, Clara. Era para o Salvatore ter se casado com a Sofia, minha irmã, e ele ainda não aceitou que foi obrigado a casar comigo. Desde que cheguei, ele me trata como se eu fosse apenas uma peça desse acordo. Frio, distante... cruel, às vezes. — Ela baixou o olhar. — Não é que eu não queira ter filhos um dia. Quero muito. Mas não agora. Não enquanto não tivermos sequer um mínimo de respeito um pelo outro. Não quero trazer uma criança para viver entre duas pessoas que mal se suportam. E, sinceramente, não faço ideia se um dia isso vai mudar. Mas eu tenho fé, bem lá no fundo, que talvez... um dia possa ser diferente.

Clara segurou a mão dela com carinho.

— Homens como Salvatore não costumam dizer o que sentem. Eles demonstram de outras formas, mesmo quando tentam esconder. Você vai ter que aprender a enxergar nos detalhes, amiga. Nem tudo o que parece frieza é realmente ausência de sentimento.

Angelina sorriu sem graça.

— Você me conhece. Sabe que eu não sou de me submeter facilmente. Se ele fecha a porta na minha cara, não vou ficar batendo até machucar os dedos.

— Eu sei. E não estou dizendo para você se humilhar. Só não deixe de perceber aquilo que ele talvez nunca tenha coragem de dizer em voz alta.

Angelina ficou em silêncio por um instante, pesando as palavras.

— Vou pensar no que você disse. — Apertou o bolso onde estava o pacote. — Mas não vou engolir sapo por ninguém. Se ele quer que dê certo, ele também tem que querer. Não basta só eu me esforçar se ele continua sendo essa muralha de pedra.

— É justo — concordou Clara, abraçando-a antes de se levantar. — Faça o que seu coração mandar. Mas lembre-se: você é mais forte do que pensa.

Depois que a amiga saiu, Angelina subiu rapidamente para o quarto. Ficou ali parada por alguns instantes, com a mão ainda no bolso, olhando para o nada, cheia de dúvidas se tomava ou não aquelas pílulas. Resolveu não decidir naquele momento. Foi até o closet, vasculhou entre as caixas de sapatos, pegou uma que não usava há tempos, colocou o pacote lá no fundo, entre os tecidos e os solados, e guardou bem no alto da prateleira, onde ninguém jamais iria procurar.

Ainda era dia quando decidiu que precisava ver o pai. Ao tentar sair, um dos guardas bloqueou o caminho.

— Onde a senhora vai, Dona Angelina? Precisa de autorização do Don.

Ela ergueu o queixo, o olhar firme e seguro.

— Vou visitar meu pai. Não vai me dizer que o Don Salvatore proíbe uma filha de ver o próprio pai, vai? — Deu um passo à frente, sem recuar. — Não se esqueça de quem é o meu pai, e de quem é o meu marido. Não crie problemas onde não há.

O guarda hesitou por um instante.

— Tudo bem, Dona Angelina. Pode passar. Vou avisar ao Don Salvatore que a senhora saiu para visitar seu pai.

Ela apenas assentiu com a cabeça e seguiu seu caminho.

Chegando à casa do pai, encontrou Don Vítorio no escritório, com o rosto carregado de cansaço. Ao vê-la, um sorriso triste apareceu em seus lábios.

— Que bom que veio, minha filha. Como está o casamento? — perguntou, puxando uma cadeira para ela.

Angelina sentou-se com calma, segurando a mão dele.

— Está tudo bem, pai. Apesar de tudo, estamos nos acertando. — Mentiu para não preocupá-lo ainda mais. — O senhor sabe como é o começo...

Ele olhou para ela com desconfiança, mas não insistiu.

— Se você diz que está bem, eu acredito. Mas saiba que estou aqui se precisar de qualquer coisa.

— Eu vim mesmo foi saber notícias da Sofia — disse ela, mudando de assunto. — Alguém descobriu onde ela está?

O pai soltou um suspiro profundo, balançando a cabeça lentamente.

— Salvatore mandou todos os seus homens procurarem por todo lado. Nenhuma pista, nenhum contato. Ela sumiu do mapa, Angelina. Ninguém sabe onde ela está, nem com quem. — Ele baixou a voz, olhando fixamente para a filha. — E, por mais estranho que pareça... eu sinto alívio. Se eles a encontrarem... o castigo será severo. Muito severo. Talvez fatal. Salvatore não perdoa traições. Prefiro mil vezes não saber onde ela está do que receber a notícia da morte dela.

Angelina sentiu o coração apertar, mas também uma ponta de alívio no peito. Pelo menos a irmã estava longe, viva.

— Obrigada por me contar a verdade, pai. — Ela o abraçou com força. — Vou rezar para que ela fique bem.

Ficou mais um pouco ouvindo os conselhos dele, sentindo o carinho que só um pai sabe dar, antes de se despedir e voltar para a mansão.

Quando chegou, já era noite avançada. Jantou sozinha, tomou um banho quente e olhou para o relógio: já eram quase onze horas, e nada de Salvatore. Ainda estava enrolada em um roupão macio, preso à cintura.

Até que ouviu o som do motor do carro na entrada. Olhou novamente para o relógio: vinte e três horas em ponto.

A porta do quarto se abriu e Salvatore apareceu, ainda com o casaco no braço. O rosto demonstrava o cansaço de um longo dia, mas sua postura permanecia firme e imponente. Ao vê-la ali, ele parou por um breve instante.

— Já jantou? — perguntou ela suavemente, lembrando-se das palavras de Clara. — Se ainda estiver com fome... posso preparar alguma coisa rapidinho.

Ele lançou um olhar discreto em sua direção, claramente surpreso com a gentileza inesperada, mas não comentou nada.

— Não precisa, obrigado. Estive em um jantar de negócios, então já comi. Estou muito cansado. Vou apenas tomar um banho e descansar.

Assim que ele entrou no banheiro, Angelina permaneceu alguns segundos parada.

Seu olhar caiu sobre a gaveta onde guardava algumas lingeries.

Por um instante, pensou em ignorar aquela ideia. Talvez fosse cedo demais. Talvez Clara estivesse errada. Talvez nada daquilo fizesse diferença.

Mas então as palavras da amiga voltaram à sua mente.

"Homens como Salvatore não costumam dizer o que sentem. Eles demonstram de outras formas..."

Respirou fundo.

Sem pensar mais, abriu a gaveta, escolheu uma lingerie provocante que valorizava suas curvas e a vestiu. Em seguida, retirou o roupão com calma e caminhou até a penteadeira.

Quando Salvatore saiu do banheiro, vestindo apenas uma calça de moletom confortável para dormir, parou no mesmo instante em que seus olhos encontraram Angelina.

Ela caminhou lentamente até a penteadeira, sentou-se diante do espelho e começou a pentear os longos cabelos negros, deslizando a escova pelos fios em movimentos lentos e delicados.

Ele permaneceu imóvel por alguns segundos.

Observava cada gesto em silêncio.

Havia algo hipnotizante na maneira como aqueles cabelos escuros escorriam entre seus dedos, refletindo a luz suave do quarto.

Por um instante, esqueceu completamente o cansaço.

Então piscou, como se despertasse de um transe, desviou o olhar e caminhou até a cama para se preparar para dormir.

Deitou-se, e, um instante depois, Angelina também se acomodou ao seu lado.

Mantiveram certa distância no começo, mas o ar entre os dois já parecia carregado de uma tensão silenciosa.

Aos poucos, ela foi diminuindo aquele espaço.

Primeiro, seu ombro roçou de leve o dele.

Depois, um joelho encostou em sua perna.

Movimentos discretos, quase imperceptíveis, que poderiam facilmente parecer acidentais.

Salvatore franziu a testa por um instante, sem saber se aquilo era realmente sem querer... ou uma provocação.

Ainda assim, não se afastou.

O cansaço acabou vencendo, e, pouco depois, ambos adormeceram.

Na madrugada, Salvatore acordou de repente. Percebeu que estava abraçado a ela, de conchinha, todo o corpo colado ao dela, agarradinhos como se fossem um só.

Não se afastou de imediato.

Passou o nariz devagar pelos cabelos dela, inalando aquele perfume que o enlouquecia. Depois afastou os fios com cuidado para expor a pele clara do pescoço. Deslizou o nariz suavemente por ali, depositou pequenos beijos leves e, por fim, roçou os lábios na orelha dela, dando uma mordidinha suave.

Angelina se mexeu devagar, quase acordando, soltando um suspiro baixo, ainda perdida entre o sono e a consciência.

Ele sentiu o desejo subir com força.

Todo o seu corpo reagia àquela proximidade.

Mas então a razão falou mais alto.

"Isso é apenas um acordo. Não posso me perder agora."

Soltou-a devagar e virou-se para o outro lado da cama.

Ela apenas se ajeitou no travesseiro e voltou a dormir.

Ele, porém, permaneceu acordado, inquieto, revirando-se de um lado para o outro.

O desejo era maior que o cansaço.

Ficar ao lado dela sem poder tocá-la era uma verdadeira tortura.

Não suportou mais.

Levantou-se em silêncio, pegou uma coberta e saiu do quarto, indo dormir no quarto de hóspedes.

Deitou-se na cama fria, mas seu corpo ainda queimava.

A imagem de Angelina, com os olhos semicerrados e o corpo se movendo contra o dele durante o sono, não saía de sua cabeça.

Apertou o punho contra o travesseiro e rosnou baixinho para si mesmo:

— Isso não vai ficar assim. Ela está me provocando de propósito... e eu não vou deixar que saia ilesa dessa.

No fundo, ele sabia.

Aquele jogo tinha acabado de mudar de nível.

E, na manhã seguinte, faria questão de deixar bem claro quem mandava naquela casa.

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