O frio cortante de Valdívia atravessava as paredes úmidas do galpão abandonado. O vento soprava pelas frestas das janelas quebradas, misturando o som da chuva ao farfalhar dos ratos e o gotejar incessante das telhas. Teresa acordou com o corpo dolorido, amarrada a uma cadeira no centro do cômodo escuro. A luz vinha apenas de uma lâmpada pendurada, oscilando como se o lugar respirasse.
Tentou se mover, mas as cordas nos pulsos a feriram. A lembrança do que acontecera voltava em fragmentos — o ba