A manhã amanheceu estranhamente abafada em Santa Aurélia. O céu, de um cinza pesado, anunciava tempestade. Isabel não conseguiu dormir desde que lera a carta de Adriano. Aquelas poucas linhas não saíam da cabeça dela, martelando entre as horas: “Há uma conta que nunca foi encerrada. Um dia, alguém virá cobrar o que me tiraram.”
Na sala, Gabriel e Clara examinavam a correspondência com atenção.
— Ele não era um homem de metáforas — disse Clara, ajustando os óculos. — Se escreveu “conta”, é prová