CAPÍTULO 90
Onde a verdade encontra o passado.
No caminho, o trânsito era só de recolhe-lixo e entregadores. Caio conduziu com as duas mãos no volante, os nós dos dedos brancos. A carta no banco do passageiro, a chave no bolso, queimando a coxa. Cada semáforo parecia lhe perguntar se ele tinha mesmo o direito de tentar outra vez.
Ele tinha. Ou, pelo menos, tinha o dever.
Caio não entrou. Ficou na calçada, respirando, ouvindo o próprio coração. O plano era simples como uma aposta final: Jarbas t