CAPÍTULO 135
Quando o medo fala mais alto que o amor
O sol entrava pelas frestas da persiana, iluminando a sala branca do hospital. O cheiro de antisséptico ainda era forte, misturado ao zumbido constante dos aparelhos. Caio abriu os olhos devagar, como se a claridade lhe cortasse a retina. A boca estava seca, a cabeça pesada.
Olhou ao redor, tentando entender onde estava. As lembranças voltaram como flashes: o disparo, o impacto, o corpo de Alinna contra o dele, o sangue quente descendo pelas costas. E então, o escuro.
Virou o rosto e percebeu que a cadeira ao lado da cama estava vazia. Um copo de café frio repousava sobre a mesinha. Ela tinha saído. O coração dele se apertou.
A enfermeira entrou devagar, percebeu o movimento e arregalou os olhos.
— Doutor! O paciente acordou! — disse, apressada, antes de sair novamente.
Poucos segundos depois, o médico entrou no quarto. Aproximou-se da cama com um olhar avaliador, checando os monitores antes de falar.
— Bom dia, senh