CAPÍTULO 136
Quando o silêncio se transforma em promessa
ALINNA TAVARES
O corredor do hospital era um labirinto de vozes abafadas, passos apressados e o cheiro constante de desinfetante que parecia grudar na pele. Eu me encostei na parede fria, o corpo inteiro tremendo. Minhas mãos ainda ardiam, como se o sangue dele tivesse grudado em mim para sempre. O que ouvi dentro daquele quarto me quebrou mais do que o disparo que atravessou as costas de Caio.
“Eu não vou me casar com ela.”
Essas palavras ecoavam na minha cabeça, repetidas como marteladas. Ele falara com firmeza, como se cada sílaba fosse uma sentença. Como se o amor que me prometeu nas Maldivas tivesse prazo de validade. Como se o para sempre só fosse válido enquanto o corpo dele estivesse perfeito.
Cambaleei até uma cadeira no canto do corredor e desabei, enterrando o rosto nas mãos. Chorei como não chorava desde a morte dos meus pais. Chorei porque era injusto, porque tínhamos atravessado infernos para estarmos juntos e, a