CAPÍTULO 134
Quando o amor enfrenta a incerteza
ALINNA TAVARES
O relógio da recepção parecia zombar de mim. Cada ponteiro que avançava era uma tortura. Eu andava de um lado para o outro, o coração preso na garganta, as mãos ainda manchadas de sangue. O sangue dele.
Caio tinha sido levado às pressas para a sala de cirurgia. Eu só consegui ver quando o empurraram em uma maca, inconsciente, o corpo imóvel e a camisa manchada de vermelho. Eu tentei segui-lo, mas as portas se fecharam diante de mim. Fiquei ali, perdida, com a sensação de que a vida estava escorrendo pelas minhas mãos.
Lucas estava ao meu lado, firme, como uma âncora. Ele tentava me passar segurança, mas eu via nos olhos dele a mesma angústia que corroía a minha alma.
— Vai dar certo, Alinna. — ele disse pela terceira vez, a voz baixa. — Caio é forte.
— Ele é humano, Lucas! — gritei sem perceber, e a raiva se misturou ao choro. — Ele sangra, ele pode morrer… e eu não sei viver sem ele!
Sentei-me numa cadeira, escondendo o