CAPÍTULO 159
Quando a vingança erra o continente
LUCAS SANTORO
Dois rapazes atravessaram a rua correndo, rindo. Um vendedor ergueu um buquê de tulipas. Eu me vi refletido no vidro de uma vitrine: terno impecável, rosto calmo, mãos nos bolsos. Quem me olha assim pensa que eu sorri de verdade.
Meu telefone vibrou. Mensagem no canal escuro.
N: “ouro velho?”
Ri sozinho. Ele queria saber se a rua estava livre. Escrevi devagar, com a mão que não treme:
S: “ouro gasto.”
Você aprende cedo, na Sicília: não responde com o código dele. Distorce um dente. Se o rato morde, descobrimos a toca.
A resposta veio em dez segundos. Localização anônima pingando no mapa. Belleville.
— Marco, confirma ping. — Toquei o ponto. — Recebi o “ouro gasto”. O idiota mordeu.
— Confirmado. — A voz dele ficou mais baixa. — Movimento no porão. Um, dois… três corpos. Um deles pequeno. Deve ser o “Doutor N.”, pela altura.
— Não entrem. — Engoli a vontade. — O Santoro está indo.
Atravessei a rua e peguei meu carro. O mot