CAPÍTULO 109
Quando o fantasma atravessa os cofres e a fera sai do escuro.
O sol de Genebra ainda não havia rasgado o horizonte quando Caio levantou da cama. A cidade dormia num silêncio pesado, quebrado apenas pelo canto distante de um pássaro e pelo som leve da respiração de Alinna. Ela dormia encolhida, os cabelos espalhados pelo travesseiro, o rosto sereno, como se naquele instante tivesse esquecido a sombra de tudo que os cercava.
Caio a observou em silêncio por alguns segundos. O peito dele se apertou. Uma parte queria ficar ali, deixar que o calor dela o anestesiasse do que estava por vir. Mas ele sabia: se não começasse agora, nunca conseguiria arrancar as garras que os sete conselheiros tinham fincado no coração dos Bastien.
Inclinou-se, passou a mão com leveza pelo cabelo dela e murmurou:
— Dorme, minha mulher. Quando acordar, o mundo já vai estar diferente.
Saiu devagar, fechando a porta atrás de si. O motor do carro preto rugiu baixo na garagem. A estrada até a mansão Bast