CAPÍTULO 110
Quando o dinheiro não compra ar.
A casa de vidro de Paul Hartmann pendia sobre o lago como um aquário caro. Vidros temperados do chão ao teto, linhas retas, aço escovado, uma piscina que mordia a borda do vazio. Às oito e quarenta da manhã, a Suíça brilhava de um azul impassível; por dentro, Hartmann suava. O relógio no pulso marcava segundos que valiam ouro — e nada mais obedecia.
— Transfer to Luxembourg. Now. — digitou no celular, os dedos trêmulos.
A resposta do banco chegou como um carimbo no rosto:
Transaction declined. Account under investigation.
Mais uma mensagem. Outro banco. Outro “declined”. A assinatura digital não validava. O cofre corporativo, travado. O telefone corporativo, mudo. A pulseira de prata bateu no tampo de mármore quando ele arremessou o aparelho, a tela rachou como gelo fino.
— Maldito… Bastien… — sussurrou entre dentes.
No andar de baixo, a campainha silenciosa piscou — alguém havia desativado o alarme perimetral. Hartmann arregalou os olhos,