Mundo de ficçãoIniciar sessão
Melissa tinha apenas dezoito anos quando viu Hudson Theodore pela primeira vez…
e naquele exato instante, soube que nunca mais seria a mesma.Ele estava parado na sala de estar da casa dos avós, alto, bonito, moreno, cabelos pretos bem cortados, olhos escuros, rosto comprido, barba bem feita, de aparência elegante, vestindo um terno escuro que contrastava com a simplicidade do ambiente. Conversava com os idosos com educação e segurança, como um homem acostumado a ser ouvido. Sua voz era firme, madura, masculina demais para alguém que acabara de entrar na vida de Melissa como uma simples visita.
— Este é Hudson, meu noivo — anunciou Violet, com um sorriso orgulhoso, segurando-lhe o braço de forma possessiva como quem exibe um troféu.
Melissa sentiu o coração falhar. Hudson Theodore.
O nome ecoou em sua mente como um sussurro proibido.Ela permaneceu alguns passos atrás, quase escondida, como sempre fazia. Violet ocupava naturalmente todos os espaços. Era bela de um jeito moderno, segura de si, sofisticada, dona de uma presença que chamava atenção sem esforço. Usava um vestido elegante, cabelos perfeitamente arrumados e falava com desenvoltura sobre viagens, festas e projetos.
Melissa, por outro lado, usava um vestido simples, claro, num estilo romântico. Os cabelos castanhos claros estavam presos de forma discreta numa espécie de rabo de cavalo e ela segurava um livro contra o peito, como se fosse um escudo. Era bonita, sim, mas de uma beleza discreta, clássica, quase invisível diante do brilho da irmã.
— E você deve ser a caçula — disse Hudson, virando-se finalmente para ela.
Os olhos dele encontraram os seus. Melissa sentiu o rosto corar, o estômago revirar, o coração bater rápido demais. Nunca havia experimentado aquela sensação estranha e avassaladora, como se algo dentro dela tivesse sido despertado sem aviso.
— V-Melissa — respondeu baixinho, quase num sussurro.
Hudson sorriu. Um sorriso simples, gentil… mas que, para ela, pareceu capaz de desmontar tudo o que conhecia sobre si mesma. Agradeceu por ele não ter ser referido a ela como a irmã temporã da sua noiva. Uma referência da qual ela não gostava, mas era sim dez anos mais nova que Violet.
— É um prazer conhecê-la. — Ele estendeu a mão.
Melissa hesitou por um segundo antes de tocá-la.O contato foi rápido, correto, inocente… mas suficiente para que ela sentisse um calor estranho subir-lhe pelos dedos e se espalhar pelo corpo inteiro. Hudson não percebeu. Violet não percebeu. Ninguém percebeu, exceto ela.
A partir daquele instante, Melissa passou a observá-lo em silêncio. Observou como Hudson falava com os avós com respeito, como se preocupava em saber se estavam confortáveis, como se oferecia para ajudar, como se interessava genuinamente pela família que estava prestes a integrar. Era um homem de trinta anos, doze anos mais velho que ela, bem-sucedido, milionário… e, ainda assim, surpreendentemente gentil.
Em determinado momento, ele se aproximou dela novamente.
— Gosta de ler? — perguntou, apontando para o livro em seus braços.
— Muito...Melissa assentiu, tímida.
— A Dama das Camélias? — ele arriscou, notando o título.
Os olhos dela brilharam pela primeira vez.
— Sim gosto também dos clássicos e sonho em cursar Letras Literatura, estudar um dia.
Hudson inclinou levemente a cabeça, interessado.
— Sonhos são importantes — disse ele, num tom sério. — Nunca deixe ninguém fazê-la desistir deles.
Aquela frase ficou gravada em sua alma. Pouco depois, Violet o chamou, impaciente, e Hudson se afastou para atender a noiva. Melissa ficou ali, parada, sentindo-se tola por ter acreditado, ainda que por um instante, que aquele homem pudesse vê-la além de “a irmã caçula”. Ele era o noivo de Violet.
O futuro marido de outra mulher. Seu futuro cunhado. E, pior ainda… o homem que Melissa começava a amar.Naquela noite, após o jantar, sozinha em seu quarto, Melissa encarou o teto por longos minutos, tentando conter um sentimento que sabia não ter o direito de sentir. Não era paixão passageira, nem admiração juvenil. Era algo mais profundo, silencioso e doloroso. Ela o amava… e jamais poderia tê-lo.
“Senhor... não é possível que eu esteja apaixonada pelo noivo da minha irmã! Seu futuro marido e meu cunhado...”
Então, com o coração apertado, prometeu a si mesma que guardaria aquele amor em segredo, como um pecado íntimo, destinado a nunca ser revelado. Mal sabia ela que o destino, implacável e irônico, ainda faria com que seus caminhos se cruzassem de uma forma que ela jamais poderia imaginar. E que aquele amor impossível… estava longe de ser apenas um sonho condenado.







