Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlexander Duran vê seu mundo desmoronar no instante em que sua família decide deixar o Brasil. O motivo é irrecusável: Alberto Duran, seu pai, inaugura uma poderosa indústria automobilística no estado de Michigan, nos Estados Unidos, mudando definitivamente o rumo da família. Ainda muito jovem, Alexander se vê consumido pelo desespero ao perceber que será obrigado a abandonar não apenas seu país, mas o amor da sua vida. Elizabeth. Um amor silencioso e paciente, nascido na infância, fortalecido ao longo dos anos, entre risos inocentes, salas de aulas compartilhadas e promessas nunca ditas. Eles cresceram juntos, lado a lado, esperando apenas o tempo certo para finalmente ficarem juntos. O destino, porém, mostra-se cruel ao separar dois corações unidos por uma amizade infantil que floresceu em amor na adolescência. Uma separação abrupta, marcada pela dor, pela distância e por palavras que nunca chegaram a ser ditas. Mas, se o destino foi implacável um dia, talvez — anos depois — encontre uma forma de compensar essa dor e oferecer uma segunda chance. Porque algumas histórias não terminam na despedida… apenas adormecem, à espera do reencontro.
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O dia em que tudo mudou
Eu sempre achei que algumas coisas eram imutáveis.
A minha casa. A minha rotina. A escola. E ela.
Mas bastou uma única conversa na sala de jantar para o meu mundo desabar em silêncio.
Meu pai falou com naturalidade demais, como se estivesse anunciando uma simples viagem de férias. Disse que a indústria finalmente sairia do papel, que Michigan era o lugar certo, que os investidores estavam confiantes. Eu ouvi tudo como quem escuta um idioma desconhecido, porque nenhuma daquelas palavras fazia sentido para mim.
Estados Unidos.
A palavra ficou suspensa no ar, pesada, sufocante.
Minha mãe sorriu, orgulhosa. Meu pai parecia realizado. E eu… eu só conseguia pensar nela. No rosto dela, quando soubesse. Nos olhos que sempre me encontravam no corredor da escola. No jeito como ela falava o meu nome, como se ele fosse importante.
— Quando iremos? — perguntei, mesmo sabendo que não queria ouvir a resposta.
— Em um mês — meu pai disse. — Tempo suficiente para organizar tudo.
Um mês.
Trinta dias.
Uma contagem regressiva para perder tudo o que eu achava que era eterno.
Subi para o meu quarto antes que alguém percebesse que eu mal conseguia respirar. Fechei a porta e encostei a testa nela, sentindo o peso daquela decisão esmagar o meu peito. Eu ainda era só um adolescente. Não estava pronto para decisões irreversíveis. Muito menos para deixar para trás a única pessoa que fazia o mundo parecer um lugar seguro.
Ela esteve comigo desde sempre.
Crescemos juntos. Dividimos lanche, cadernos, segredos bobos. Aprendemos a gostar das mesmas músicas, a rir das mesmas piadas, a nos procurar em qualquer lugar cheio demais. Quando não estávamos juntos, parecia faltar alguma coisa. E quando estávamos, tudo se encaixava.
Nunca precisei dizer que a amava.
Ela sempre soube.
Eu sempre soube.
Esperávamos. Pelo tempo certo. Pela idade certa. Pelo momento certo.
E agora o tempo me traía.
Sentei na cama e observei o quarto como se estivesse me despedindo dele. As paredes guardavam marcas invisíveis de quem eu fui. O garoto que acreditava que algumas promessas não precisavam ser ditas em voz alta. O garoto que acreditava que o destino era justo.
Peguei o chaveiro que ela tinha me presenteado — algo simples, quase insignificante para qualquer outra pessoa. Mas, para mim, era tudo. Fechei os dedos em volta dele, tentando segurar também as lembranças, os planos, o futuro que não viveremos.
Senti os olhos arderem, mas não chorei. Ainda não.
Eu não sabia como contar.
Não sabia como dizer que estava indo embora.
Não sabia como suportar o olhar dela, quando entendesse que não havia escolha.
Talvez o pior de tudo não fosse a distância.
Mas o medo de que o tempo fizesse o que o oceano faz: apagar.
Naquela noite, deitado na cama, encarei o teto por horas. Cada pensamento era um golpe. Cada silêncio, uma confirmação.
O destino tinha sido cruel.
Separou dois corações que nem chegaram a se escolher oficialmente.
Mas, enquanto o sono finalmente vencia-me, uma certeza formou-se dentro de mim, silenciosa e obstinada:
Alguns amores não acabam.
Eles apenas esperam.
E eu esperaria. Mesmo que levasse anos. Mesmo que doesse todos os dias.
Dois dias antes da minha partida, eu não fui à escola.
O meu peito doía de um jeito estranho, como se algo estivesse pressionando por dentro, sem descanso. O choro estava entalado na garganta desde a hora em que acordei, pesado demais para sair, sufocante demais para ser ignorado. Eu simplesmente não consegui levantar. Não consegui sair. Fiquei.
Ela mandou-me diversas mensagens naquele dia. E no dia seguinte também. Mensagens preocupadas, insistentes, cheias de cuidado. Perguntava o que tinha acontecido, por que eu não tinha ido à escola dois dias seguidos, se eu estava doente, se precisava de alguma coisa.
Cada notificação fazia o meu coração apertar ainda mais.
Eu lia.
Relia.
Digitava… e apagava.
Não conseguia responder. Não havia palavras. Não havia argumentos. Não havia explicação possível que não doesse. Só existia dor emocional, crua, silenciosa, tomando conta de tudo. Eu sentia-me pequeno, fraco, incapaz de enfrentar a verdade.
E então chegou a noite.
A última noite.
A chuva caía forte, pesada, incessante. Raios rasgavam o céu, e os trovões ecoavam como se anunciassem o fim de alguma coisa — talvez o meu mundo. O som da tempestade entrava pelas frestas da janela, misturado ao barulho acelerado do meu próprio coração.
Ele estava apertado. Dolorido.
A culpa me corroía por dentro.
Eu estava sendo um covarde.
Indo embora sem falar com ela.
Eu não podia fazer aquilo.
Ela não merecia.
Olhei o relógio. Uma e vinte da manhã.
Desci as escadas em silêncio, sentindo o frio do chão nos pés, o coração martelando no peito. Coloquei o tenis e peguei a minha bicicleta na garagem. Eu sabia dirigir, mas era menor de idade, e fazer barulho com o carro do meu pai naquela hora da madrugada chamaria atenção demais. A bicicleta era silenciosa. Discreta. Era tudo o que eu tinha.
Pedalei.
Pedalei até o bairro vizinho, sob a chuva gelada, sentindo a água encharcar as minhas roupas, o vento cortar o meu rosto, as mãos quase dormentes no guidão. Mas eu não diminuí. Não consegui.
Só pensava nela.
Em Elizabeth.
Como eu iria suportar toda aquela distância? Como aceitar um oceano inteiro entre nós? Pensava nisso enquanto pedalava em alta velocidade pelas ruas desertas, vazias, cobertas de água por todos os lados. Os relâmpagos iluminavam tudo por segundos, transformando a noite em dia, revelando casas silenciosas, árvores agitadas pelo vento, o caminho que me levava até ela.
Cada raio parecia marcar o tempo que eu estava perdendo.
Cada trovão, a urgência de não fugir mais.
O meu coração batia descompassado, não só pelo esforço, mas pelo medo. Medo do que eu diria. Medo do que ela sentiria. Medo de que aquele fosse o nosso último encontro. E para ser sincero, sim, seria o ultimo!
Mas, acima de tudo, medo de ir embora sem olhar nos olhos dela uma última vez.
E eu sabia, enquanto pedalava sob a tempestade, que aquela noite mudaria tudo.
Quando finalmente cheguei à casa dela, bairro simples, casa pequena, humilde, mas aconchegante, tudo estava em silêncio. As luzes apagadas, as janelas fechadas, o mundo parecia suspenso no meio da tempestade. Todos dormiam. Desci da bicicleta com cuidado, o coração disparado, e dei a volta pelos fundos.
Havia uma passagem secreta.
Uma ideia dela.
Um pequeno caminho entre o muro e o jardim, escondido pela sombra das árvores, criado para que eu pudesse aparecer à noite quando estivesse sem sono. Quantas vezes passamos por ali rindo de coisas banais, sussurrando histórias sem importância, acreditando que aquelas noites se repetiriam para sempre.
Que pena.
Essa noite não seria como as outras.
Adentrei o quintal no escuro, sentindo a grama molhada sob os tênis encharcados, e parei ao lado da janela do quarto dela. O meu coração parecia querer saltar para fora do peito. Levantei a mão e toquei suavemente no vidro, como tínhamos combinado para que ela soubesse que era eu.
Três toques seguidos.
Depois, mais dois, bem lentos.
Esperei.
Nada.
Repeti o processo. Uma, duas, três vezes. O silêncio continuava, interrompido apenas pela chuva forte e pelos trovões que cortavam o céu. Pensei que ela estivesse dormindo profundamente.
Quando estava prestes a bater pela quarta vez, ouvi um barulho leve na janela.
Era ela.
Elizabeth abriu a janela assustada. A chuva caía com força, os relâmpagos iluminavam o rosto dela por segundos. Quando me viu ali, encharcado, tremendo, arregalou os olhos, tomada pela preocupação.
— Meu Deus, Alex… — disse, a voz quase perdida no som da tempestade. — O que houve com você? O que faz aqui a essa hora, nessa chuva? Olha esses raios…
Foi nesse instante que tudo desabou.
Todo aquele choro entalado finalmente se soltou. Eu chorava sem vergonha, sem controle, o corpo tremendo não só pelo frio, mas pelo medo. Medo de falar. Medo de machucá-la. Medo de perder tudo.
Ela abriu a janela completamente, sem pensar duas vezes, e eu pulei para dentro, molhando o chão, todo encharcado. Chorando.
— Alex, o que houve? — ela perguntou, desesperada. — Por que você está assim? Me fala… Está me deixando nervosa.
Não consegui responder. Apenas a abracei com força. Uma força desesperada, como se aquele abraço fosse a última coisa que me mantinha inteiro.
— Alex, eu estou ficando sem ar — ela reclamou, tentando se soltar um pouco. — Me fala o que houve, por favor.
Demorou alguns minutos. Minutos em que ela me conduziu até a cama, trouxe uma toalha quente, secou o meu cabelo com cuidado e colocou um copo de chocolate quente entre as minhas mãos trêmulas. Aos poucos, a respiração desacelerou. O choro virou soluço. O caos dentro de mim ficou um pouco mais silencioso.
Foi então que comecei a falar.
— Liz… meus pais vão embora.
Ela franziu a testa, confusa.
— Como assim? — perguntou. — Eles vão mudar de cidade? Seus pais têm dinheiro, Alex… eles sempre buscam viver em lugares melhores.
Eu apenas balancei a cabeça em negativa. O nó voltou à garganta.
— Não é isso… — interrompi, a voz falhando. — Vamos todos embora para os Estados Unidos.
Foi nesse momento que vi a surpresa nos olhos dela. Aqueles olhos negros, profundos, parecidos com duas jabuticabas, agora cheios de incredulidade.
— O quê? — ela disse, quase engasgando com as próprias palavras. — Mas… e você? E a gente? Alex, e a gente?
E ali, naquele quarto, sob o som da chuva e dos trovões, eu soube que nada nunca mais seria simples.
AlexanderVivendo os dias dela IIAinda estava ali, deitado na cama, excessivamente pensativo sobre o que ela queria, sobre o que pretendia de nós dois, quando ouvi o barulho do chuveiro. O som da água caindo despertou algo urgente dentro de mim. Levantei-me bruscamente e fui ao seu encontro. Quando entrei no banheiro, ela estava sob a água quente, completamente molhada, os cabelos escorrendo pelos ombros, um sorriso malicioso nos lábios.Avancei sem pensar.Envolvi seu rosto entre minhas mãos, obrigando-a a me encarar.— Não faz isso comigo, princesa… — falei com o coração batendo na garganta, a voz grave, carregada de tensão. — Eu juro que estou tentando ser o mais cuidadoso possível com você, com o que sente, com o que pensa e com tudo o que carrega dentro do coração. Cada gesto meu, cada palavra, cada aproximação é pensada para não te ferir, para não atravessar nenhum limite seu. Porque, acima de qualquer desejo meu, existe o respeito profundo que eu tenho por você… e pelo que voc
AlexanderVivendo os dias delaComo prometi, deitei-me e permaneci quieto, com ela enroscada em mim, perfeitamente encaixada ao meu corpo. Respirei fundo, deixando que o cheiro dela me invadisse por completo. Os cabelos espalhados pelo meu peito tinham um perfume suave e feminino, quase viciante. Sua pele era macia, quente e acolhedora. Tê-la assim, tão entregue ao sono, confiando em mim, despertava algo profundo — um misto de proteção e desejo.Confesso que não foi nada fácil passar a noite inteira com aquela bunda farta, deliciosa, colada ao meu membro. Permanecer duro por horas, lutando contra cada impulso, exigiu mais autocontrole do que eu imaginava ter. Mas eu fazia isso por ela. Por respeito. Por amor. E, de algum modo, cada segundo de contenção valia a pena, porque eu sabia — quando tudo estivesse resolvido, quando estivéssemos livres — seria perfeito.Acordei cedo. A luz do sol começava a atravessar as frestas da cortina, desenhando faixas douradas pelo quarto. Ela ainda dorm
ElizabethFicar distante já não era mais uma vontadeO vinho ainda aquecia meu corpo quando percebi que já não era apenas o álcool correndo nas veias. Era ele. Era Alexander. Era o passado inteiro pulsando dentro de mim como se nunca tivesse ido embora.Eu não tinha o costume de beber, e talvez por isso cada gole tivesse descido como uma chama lenta, espalhando-se pelo meu peito, pelo meu ventre, pela pele. Mas a verdade é que o que realmente me incendiava era vê-lo ali, tão próximo, tão meu… ainda que o mundo insistisse em dizer o contrário.Eu o amava desde menina. Amava aquele sorriso lindo, aquele olhar azul que parecia enxergar além da minha alma. E agora ele estava ali, mais homem do que nunca — mais forte, mais seguro, mais intenso. O cheiro dele me envolvia: perfume amadeirado com notas frescas misturado ao calor natural de sua pele quente, masculina. Aquilo me deixava tonta.E excitada.Antes que pudesse pensar nas consequências, antes que a culpa tivesse tempo de gritar, eu
AlexanderUm fim de semana inteiro com elaAquela semana havia sido intensa.Meus trabalhos com o Oliveira foram adiantados e concluídos antes do prazo. Eu deveria estar satisfeito — missão cumprida, resultados entregues, reconhecimento garantido. Mas a verdade é que minha cabeça estava em outro lugar.Na quinta-feira de manhã, antes de sair para o escritório, liguei para meu pai. Ele atendeu no segundo toque, como sempre fazia quando era eu.— Bom dia, filho. Já está de pé essa hora? — ele brincou.Sorri, ainda sentado na cama do hotel, olhando pela janela o céu cinzento da cidade.— Já estou, pai. O dia será cheio.Conversamos alguns minutos sobre números, contratos, ajustes pendentes. Ele me ouvia atento, mas eu sabia que ele percebia quando algo estava diferente em mim. Sempre percebeu.Houve uma pausa.Silêncio.Então ele perguntou, com aquela calma quase desconcertante:— Você encontrou a Elizabeth, não foi?Fechei os olhos por um instante, absorvendo aquela pergunta. Não adiant
ElizabethA semana começou como um choque de realidade.Na segunda-feira, depois que cada um seguiu para seu trabalho, senti como se tivesse deixado uma parte de mim na porta do prédio. O beijo contido antes de sair do carro ainda queimava nos meus lábios.O dia foi arrastado.Entre atendimentos, relatórios e massagens, meu celular parecia pesar na bolsa. Eu me segurava para não olhar a cada cinco minutos. Quando finalmente vibrou, quase derrubei a caneta.Alex: “Estou tentando trabalhar, mas só consigo lembrar de você na minha boca…”Meu coração disparou. Olhei ao redor antes de responder.Eu: “Concentre-se, senhor empresário. Eu tenho pacientes.”Ele respondeu quase instantaneamente.“Você é meu melhor pensamento do dia. Isso atrapalha qualquer reunião.”Sorri sozinha. Mas junto com o calor vinha o peso. A lembrança de que ele era casado me atravessava como uma sombra insistente.Na terça, não nos vimos. Apenas mensagens curtas. Ele em reuniões externas. Eu atolada de trabalho até
ElizabethO início de uma nova semanaAcordei com a luz morna do sol invadindo o quarto e aquecendo meu rosto com delicadeza. Demorei alguns segundos para entender onde estava. Então senti.O braço forte de Alex envolvia minha cintura com precisão possessiva, mas suave. O corpo dele encaixado ao meu, quente, protetor. Respirei fundo o cheiro dele — delicioso, de pele limpa, algo inconfundivelmente masculino, que me trouxe de volta cada segundo da noite anterior.Meu Deus…Ele tinha sido intenso, mas atento. Dominante, mas cuidadoso. Em nenhum momento ultrapassou o que eu permitia. Cada toque vinha acompanhado de um olhar, de um pedido silencioso de permissão. E eu… eu tinha permitido parcialmente tudo.Um arrepio percorreu meu corpo ao lembrar da forma como ele me fez sentir — desejada, amada, reverenciada.Foi quando a realidade caiu como um balde de água fria.Segunda-feira.Trabalho.Responsabilidades.Marcela.Com cuidado, ergui o braço dele da minha cintura e me sentei na cama de
Último capítulo