A Dor da Escolha - A Decisão do Poderoso CEO

A Dor da Escolha - A Decisão do Poderoso CEOPT

Romance
Última actualización: 2026-01-18
Ritty  Recién actualizado
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Resumen
Índice

Alexander Duran vê seu mundo desmoronar no instante em que sua família decide deixar o Brasil. O motivo é irrecusável: Alberto Duran, seu pai, inaugura uma poderosa indústria automobilística no estado de Michigan, nos Estados Unidos, mudando definitivamente o rumo da família. Ainda muito jovem, Alexander se vê consumido pelo desespero ao perceber que será obrigado a abandonar não apenas seu país, mas o amor da sua vida. Elizabeth. Um amor silencioso e paciente, nascido na infância, fortalecido ao longo dos anos, entre risos inocentes, salas de aulas compartilhadas e promessas nunca ditas. Eles cresceram juntos, lado a lado, esperando apenas o tempo certo para finalmente ficarem juntos. O destino, porém, mostra-se cruel ao separar dois corações unidos por uma amizade infantil que floresceu em amor na adolescência. Uma separação abrupta, marcada pela dor, pela distância e por palavras que nunca chegaram a ser ditas. Mas, se o destino foi implacável um dia, talvez — anos depois — encontre uma forma de compensar essa dor e oferecer uma segunda chance. Porque algumas histórias não terminam na despedida… apenas adormecem, à espera do reencontro.

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Capítulo 1

Capítulo 01

Alexander

O dia em que tudo mudou

Eu sempre achei que algumas coisas eram imutáveis.

A minha casa. A minha rotina. A escola. E ela.

Mas bastou uma única conversa na sala de jantar para o meu mundo desabar em silêncio.

Meu pai falou com naturalidade demais, como se estivesse anunciando uma simples viagem de férias. Disse que a indústria finalmente sairia do papel, que Michigan era o lugar certo, que os investidores estavam confiantes. Eu ouvi tudo como quem escuta um idioma desconhecido, porque nenhuma daquelas palavras fazia sentido para mim.

Estados Unidos.

A palavra ficou suspensa no ar, pesada, sufocante.

Minha mãe sorriu, orgulhosa. Meu pai parecia realizado. E eu… eu só conseguia pensar nela. No rosto dela, quando soubesse. Nos olhos que sempre me encontravam no corredor da escola. No jeito como ela falava o meu nome, como se ele fosse importante.

— Quando iremos? — perguntei, mesmo sabendo que não queria ouvir a resposta.

— Em um mês — meu pai disse. — Tempo suficiente para organizar tudo.

Um mês.

Trinta dias.

Uma contagem regressiva para perder tudo o que eu achava que era eterno.

Subi para o meu quarto antes que alguém percebesse que eu mal conseguia respirar. Fechei a porta e encostei a testa nela, sentindo o peso daquela decisão esmagar o meu peito. Eu ainda era só um adolescente. Não estava pronto para decisões irreversíveis. Muito menos para deixar para trás a única pessoa que fazia o mundo parecer um lugar seguro.

Ela esteve comigo desde sempre.

Crescemos juntos. Dividimos lanche, cadernos, segredos bobos. Aprendemos a gostar das mesmas músicas, a rir das mesmas piadas, a nos procurar em qualquer lugar cheio demais. Quando não estávamos juntos, parecia faltar alguma coisa. E quando estávamos, tudo se encaixava.

Nunca precisei dizer que a amava.

Ela sempre soube.

Eu sempre soube.

Esperávamos. Pelo tempo certo. Pela idade certa. Pelo momento certo.

E agora o tempo me traía.

Sentei na cama e observei o quarto como se estivesse me despedindo dele. As paredes guardavam marcas invisíveis de quem eu fui. O garoto que acreditava que algumas promessas não precisavam ser ditas em voz alta. O garoto que acreditava que o destino era justo.

Peguei o chaveiro que ela tinha me presenteado — algo simples, quase insignificante para qualquer outra pessoa. Mas, para mim, era tudo. Fechei os dedos em volta dele, tentando segurar também as lembranças, os planos, o futuro que não viveremos.

Senti os olhos arderem, mas não chorei. Ainda não.

Eu não sabia como contar.

Não sabia como dizer que estava indo embora.

Não sabia como suportar o olhar dela, quando entendesse que não havia escolha.

Talvez o pior de tudo não fosse a distância.

Mas o medo de que o tempo fizesse o que o oceano faz: apagar.

Naquela noite, deitado na cama, encarei o teto por horas. Cada pensamento era um golpe. Cada silêncio, uma confirmação.

O destino tinha sido cruel.

Separou dois corações que nem chegaram a se escolher oficialmente.

Mas, enquanto o sono finalmente vencia-me, uma certeza formou-se dentro de mim, silenciosa e obstinada:

Alguns amores não acabam.

Eles apenas esperam.

E eu esperaria. Mesmo que levasse anos. Mesmo que doesse todos os dias.

Dois dias antes da minha partida, eu não fui  à escola.

O meu peito doía de um jeito estranho, como se algo estivesse pressionando por dentro, sem descanso. O choro estava entalado na garganta desde a hora em que acordei, pesado demais para sair, sufocante demais para ser ignorado. Eu simplesmente não consegui levantar. Não consegui sair. Fiquei.

Ela mandou-me diversas mensagens naquele dia. E no dia seguinte também. Mensagens preocupadas, insistentes, cheias de cuidado. Perguntava o que tinha acontecido, por que eu não tinha ido à escola dois dias seguidos, se eu estava doente, se precisava de alguma coisa.

Cada notificação fazia o meu coração apertar ainda mais.

Eu lia.

Relia.

Digitava… e apagava.

Não conseguia responder. Não havia palavras. Não havia argumentos. Não havia explicação possível que não doesse. Só existia dor emocional, crua, silenciosa, tomando conta de tudo. Eu sentia-me pequeno, fraco, incapaz de enfrentar a verdade.

E então chegou a noite.

A última noite.

A chuva caía forte, pesada, incessante. Raios rasgavam o céu, e os trovões ecoavam como se anunciassem o fim de alguma coisa — talvez o meu mundo. O som da tempestade entrava pelas frestas da janela, misturado ao barulho acelerado do meu próprio coração.

Ele estava apertado. Dolorido.

A culpa me corroía por dentro.

Eu estava sendo um covarde.

Indo embora sem falar com ela.

Eu não podia fazer aquilo.

Ela não merecia.

Olhei o relógio. Uma e vinte da manhã.

Desci as escadas em silêncio, sentindo o frio do chão nos pés, o coração martelando no peito. Coloquei o tenis e peguei a minha bicicleta na garagem. Eu sabia dirigir, mas era menor de idade, e fazer barulho com o carro do meu pai naquela hora da madrugada chamaria atenção demais. A bicicleta era silenciosa. Discreta. Era tudo o que eu tinha.

Pedalei.

Pedalei até o bairro vizinho, sob a chuva gelada, sentindo a água encharcar as minhas roupas, o vento cortar o meu rosto, as mãos quase dormentes no guidão. Mas eu não diminuí. Não consegui.

Só pensava nela.

Em Elizabeth.

Como eu iria suportar toda aquela distância? Como aceitar um oceano inteiro entre nós? Pensava nisso enquanto pedalava em alta velocidade pelas ruas desertas, vazias, cobertas de água por todos os lados. Os relâmpagos iluminavam tudo por segundos, transformando a noite em dia, revelando casas silenciosas, árvores agitadas pelo vento, o caminho que me levava até ela.

Cada raio parecia marcar o tempo que eu estava perdendo.

Cada trovão, a urgência de não fugir mais.

O meu coração batia descompassado, não só pelo esforço, mas pelo medo. Medo do que eu diria. Medo do que ela sentiria. Medo de que aquele fosse o nosso último encontro. E para ser sincero, sim, seria o ultimo!

Mas, acima de tudo, medo de ir embora sem olhar nos olhos dela uma última vez.

E eu sabia, enquanto pedalava sob a tempestade, que aquela noite mudaria tudo.

Quando finalmente cheguei à casa dela, bairro simples, casa pequena, humilde, mas aconchegante, tudo estava em silêncio. As luzes apagadas, as janelas fechadas, o mundo parecia suspenso no meio da tempestade. Todos dormiam. Desci da bicicleta com cuidado, o coração disparado, e dei a volta pelos fundos.

Havia uma passagem secreta.

Uma ideia dela.

Um pequeno caminho entre o muro e o jardim, escondido pela sombra das árvores, criado para que eu pudesse aparecer à noite quando estivesse sem sono. Quantas vezes passamos por ali rindo de coisas banais, sussurrando histórias sem importância, acreditando que aquelas noites se repetiriam para sempre.

Que pena.

Essa noite não seria como as outras.

Adentrei o quintal no escuro, sentindo a grama molhada sob os tênis encharcados, e parei ao lado da janela do quarto dela. O meu coração parecia querer saltar para fora do peito. Levantei a mão e toquei suavemente no vidro, como tínhamos combinado para que ela soubesse que era eu.

Três toques seguidos.

Depois, mais dois, bem lentos.

Esperei.

Nada.

Repeti o processo. Uma, duas, três vezes. O silêncio continuava, interrompido apenas pela chuva forte e pelos trovões que cortavam o céu. Pensei que ela estivesse dormindo profundamente.

Quando estava prestes a bater pela quarta vez, ouvi um barulho leve na janela.

Era ela.

Elizabeth abriu a janela assustada. A chuva caía com força, os relâmpagos iluminavam o rosto dela por segundos. Quando me viu ali, encharcado, tremendo, arregalou os olhos, tomada pela preocupação.

— Meu Deus, Alex… — disse, a voz quase perdida no som da tempestade. — O que houve com você? O que faz aqui a essa hora, nessa chuva? Olha esses raios…

Foi nesse instante que tudo desabou.

Todo aquele choro entalado finalmente se soltou. Eu chorava sem vergonha, sem controle, o corpo tremendo não só pelo frio, mas pelo medo. Medo de falar. Medo de machucá-la. Medo de perder tudo.

Ela abriu a janela completamente, sem pensar duas vezes, e eu pulei para dentro, molhando o chão, todo encharcado. Chorando.

— Alex, o que houve? — ela perguntou, desesperada. — Por que você está assim? Me fala… Está me deixando nervosa.

Não consegui responder. Apenas a abracei com força. Uma força desesperada, como se aquele abraço fosse a última coisa que me mantinha inteiro.

— Alex, eu estou ficando sem ar — ela reclamou, tentando se soltar um pouco. — Me fala o que houve, por favor.

Demorou alguns minutos. Minutos em que ela me conduziu até a cama, trouxe uma toalha quente, secou o meu cabelo com cuidado e colocou um copo de chocolate quente entre as minhas mãos trêmulas. Aos poucos, a respiração desacelerou. O choro virou soluço. O caos dentro de mim ficou um pouco mais silencioso.

Foi então que comecei a falar.

— Liz… meus pais vão embora.

Ela franziu a testa, confusa.

— Como assim? — perguntou. — Eles vão mudar de cidade? Seus pais têm dinheiro, Alex… eles sempre buscam viver em lugares melhores.

Eu apenas balancei a cabeça em negativa. O nó voltou à garganta.

— Não é isso… — interrompi, a voz falhando. — Vamos todos embora para os Estados Unidos.

Foi nesse momento que vi a surpresa nos olhos dela. Aqueles olhos negros, profundos, parecidos com duas jabuticabas, agora cheios de incredulidade.

— O quê? — ela disse, quase engasgando com as próprias palavras. — Mas… e você? E a gente? Alex, e a gente?

E ali, naquele quarto, sob o som da chuva e dos trovões, eu soube que nada nunca mais seria simples.

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