Mundo ficciónIniciar sesiónLyra, filha do Alfa assassinado da poderosa Matilha Moonfang, nunca conseguiu reivindicar a liderança devido à sua natureza de Loba Lunar. Seu destino parecia selado quando seu próprio companheiro, Rowan, foi nomeado Alfa em seu lugar. Mas a verdadeira traição aconteceu quando ele, junto com toda a matilha e sua própria meia-irmã, a acusaram falsamente de infidelidade e a condenaram à morte. Rejeitada brutalmente não uma, mas duas vezes — primeiro por Rowan e depois por seu companheiro de segunda chance, o implacável Alfa Mikail — Lyra perdeu não apenas seu posto, mas também sua loba, ficando condenada a uma existência vazia. No entanto, Mikail, em uma reviravolta cruel do destino, salvou-a da execução, prometendo-lhe que seu sofrimento estava longe de terminar. Agora, a guerra irrompe entre os Alfas que desejam possuí-la, enquanto Lyra, destroçada e desprovida de seu espírito, enfrenta um novo desafio: será que a deusa da lua poderá devolver-lhe sua loba e dar-lhe uma terceira chance de amar? Ou seu coração, congelado pela dor, está destinado a permanecer para sempre na escuridão? Em um mundo de traições, segredos e batalhas pelo poder, Lyra terá que decidir se consegue sobreviver e encontrar forças para lutar por seu próprio destino.
Leer másO ar cheirava a incenso e sangue. O salão principal da matilha Moonfang, que outrora fora meu lar, parecia agora uma prisão.
Correntes de prata queimavam meus pulsos enquanto eu me ajoelhava no centro da sala, com o olhar baixo e o coração batendo furiosamente. Não por medo, mas por impotência.
A conferência dos Alfas havia sido um evento de honra, um momento em que os líderes das matilhas mais poderosas se reuniam para discutir alianças e disputas.
No entanto, o que deveria ter sido um evento diplomático havia se transformado em um julgamento público contra mim, a filha do Alfa assassinado e a companheira do recém-nomeado Alfa Rowan.
Eu estava de joelhos no centro da sala, meu cabelo caía desarrumado sobre meu rosto, enquanto minha respiração trêmula era a única coisa que quebrava o silêncio antes da sentença.
—Rejeito a Lua Lyra como minha companheira — a voz de Rowan ressoou friamente, ecoando pela sala.
As palavras de Rowan foram como uma faca fria cravando-se em meu peito. Levantei a cabeça de repente, meus lábios tremeram, mas não consegui falar.
Não, isso não podia estar acontecendo.
—Ela foi encontrada na cama com um estranho —continuou ele com voz dura, sem nenhum traço do homem que outrora me prometeu amor eterno—. O que significa que ela trairia a matilha. A punição por traição é a morte.
Os murmúrios se transformaram em gritos de fúria. Eles me acusavam. Me condenavam.
—Isso é mentira! —Minha voz soou rasgada, como um eco perdido entre a multidão.
—Mentirosa! —Calista deu um passo à frente com a cabeça erguida, seu rosto perfeito iluminado por um sorriso malicioso—. Todos sabem que você não é digna de ser nossa Lua. E agora sabemos que você também é infiel. Você só queria o título de Lua e se aproveitou da bondade de Rowan.
A traição me atingiu com mais força do que qualquer sentença de morte. Minha própria meia-irmã. A menina que meu pai adotou, aquela que compartilhou meu lar e minha família…
“Ela está por trás de tudo”
Meus olhos procuraram Rowan, implorando por encontrar um lampejo de dúvida, de amor, de alguma coisa. Mas só vi seu desprezo.
Seus lábios se franziram como se até mesmo meu olhar o repugnasse.
—Eu vi com meus próprios olhos, Lyra —disse ele, com uma frieza que me partiu ao meio—. Não há mais nada a dizer.
Ele não acreditava em mim.
—Rowan, eu não…
—Aceita de uma vez por todas a rejeição e poupa-me do incômodo de ter que continuar vendo a tua cara —declarou com voz fria e impessoal.
Meu peito se contraiu, sufocado pelo desespero. A verdade havia se transformado em cinzas e ninguém tentava recolhê-las.
—Eu… Lyra Blackthorne… aceito sua rejeição… Alfa Rowan —minha voz era um sussurro quebrado.
Ele levou a mão ao peito e a expressão fria de seu rosto mal sofreu uma ligeira mudança. Foi isso que mais me doeu.
Todo o amor que ele havia me professado e suas palavras de me proteger foram pelo ralo. Ele havia escolhido não confiar em mim, apesar de eu ser sua mate, sua companheira destinada pela deusa da lua.
—A ex-Luna merece ser banida!
Os membros da matilha começaram a gritar, alguns exigindo minha execução imediata. Os Alfas visitantes observavam com interesse, mas nenhum deles intervinha.
Ninguém se levantaria em defesa de uma loba marcada como traidora.
O alvoroço aumentou quando uma presença sombria se fez notar. Um arrepio percorreu minha pele.
A sala, que antes vibrava com gritos de condenação, caiu em um silêncio sepulcral.
—Alfa Mikail —irrompeu no silêncio uma voz incrédula.
O homem mais temido entre os Alfas. Sua mera presença esvaziava o ar do local.
Seus olhos, profundos e escuros como um abismo, percorreram a cena com absoluto desinteresse. Seu olhar pousou em mim, e um arrepio subiu pela minha espinha.
Minha loba despertou.
Não de medo, mas de algo mais profundo. Reconhecimento.
Meu coração bateu forte, um fio dourado começou a se tecer entre nós.
Era fraco, apenas uma brisa em comparação com a tempestade que eu sentira com Rowan, mas estava lá. Vivo.
Meus lábios se abriram em um suspiro silencioso. Mikail era minha segunda chance.
Por um instante, algo em seu olhar vacilou. Um lampejo de dúvida cruzou seus olhos, como se ele não esperasse por isso, como se… não quisesse que isso fosse real.
Minha alma gritou em súplica muda.
Mas a centelha se apagou.
Seu rosto endureceu novamente.
—Eu, Alfa Mikail da matilha Silverbane, rejeito Lyra Blackthorne como minha companheira.
O mundo desabou ao meu redor.
Não. Não, não, não.
A dor da rejeição foi um fogo que atravessou meu peito, mas desta vez… foi pior. Senti minha loba uivar dentro de mim. Seu lamento foi dilacerante, e então… silêncio.
Vazio.
Minha loba morreu dentro de mim.
Um grito dilacerante escapou dos meus lábios e eu desabei no chão, incapaz de me sustentar. O vínculo rompido duas vezes… era um destino pior que a morte.
As vozes ao meu redor se transformaram em um murmúrio distante.
—Se perdeu sua loba, você não é mais uma Lua.
—Então você não tem nenhum propósito.
—Você será executada ao amanhecer.
Tudo se desvanecia nas sombras. Eu estava caindo… caindo…
Até que sua voz me deteve.
—Pare!
Era Mikail.
As vozes se calaram.
Forcei meus olhos a se abrirem e o vi. De pé, como um deus cruel olhando para um simples inseto.
—A filha traidora de um Alfa falecido não deve morrer tão rápido. Ainda há mais sofrimento à sua espera.
Meu coração afundou ao ver seu olhar sombrio e impiedoso.
O julgamento havia terminado. Mas meu verdadeiro tormento mal estava começando.
O abismo se fechou sobre mim. E eu caí na escuridão.
—O que você está fazendo aqui? —consegui perguntar, com a voz rouca de tanta emoção.Ele arqueou uma sobrancelha.—É simples. Respostas.Isso foi o suficiente para que todos os meus pecados voltassem de uma vez:A imagem de Lyra fugindo. Seu choro. Minha covardia. O medo disfarçado de decisão.—Não tenho nada a lhe oferecer —disse eu—. Apenas erros e muito arrependimento.Aiden não desviou o olhar.—Não vim pedir perdão nem concedê-lo —respondeu ele em tom cortante—. Vim olhar para o homem que me deu a vida… e talvez entender por que ele escolheu nos abandonar.Minha mãe soluçou mais forte. Eu cerrei os punhos até doerem e minhas mãos ficarem dormentes.—Não há desculpa válida —admiti com um suspiro—. Fui fraco. E paguei por isso. Certamente pelo resto dos meus dias.Olhei para ele com atenção. Ele era poderoso. Dava para perceber em sua postura, na energia contida sob sua pele. Pensei em Lyra. Em como ela teria crescido. Em como ele pôde permitir que ela viesse. Eu não tinha o direi
**Eloísa**Anos atrás, meu mundo desabou no grande salão de Silverbane.Lembro-me primeiro do murmúrio. Depois, dos rostos tensos. Em seguida, das palavras que ninguém jamais quer ouvir sobre um filho.—Mikail será banido — anunciou o ancião mais velho. — Por seus crimes contra a matilha.Não ouvi mais nada. O chão se inclinou e o ar abandonou meus pulmões.Acordei com o gosto metálico do medo na boca e a voz de Severino me chamando.—Eloísa… amor… olhe para mim.—Ágata? —foi a primeira coisa que perguntei—. Onde está minha menina?Severino não respondeu imediatamente. E aquele silêncio foi pior do que qualquer sentença.—Ela estará na masmorra do rei Alfa —disse ele finalmente—. Por muito tempo.Gritei. Não me lembro o quanto nem como. Só sei que algo dentro de mim se quebrou para sempre. Mikail banido. Ágata aprisionada. Dois filhos perdidos no mesmo dia.Os dias seguintes foram puro caos. Severino assumiu o comando de Silverbane enquanto Mikail fugia como um animal ferido, mas a ma
**Lyra**A felicidade tem um peso próprio. Não é leve nem ingênua. É uma paz profunda, conquistada com muito esforço, como a que sinto todas as manhãs ao acordar ao lado de Tharion, o rei Alfa que não só me escolheu como rainha, mas como toda a sua vida. Ser amada por ele, daquela forma devota e feroz, me deu algo que nunca acreditei ser possível: descanso. Wolvencrest deixou de ser um refúgio para se tornar um lar.Tharion nos amava com uma dedicação absoluta. A mim. A Aiden. A cada um de nossos filhos, sem distinção, sem hierarquias. Ele nos olhava como se fôssemos o que havia de mais precioso no mundo, e eu retribuía esse amor com a mesma intensidade. Nosso legado não era apenas poder ou território, mas uma família unida. Mas mesmo na felicidade mais sólida, o passado sabe como reivindicar seu lugar.Aiden tinha dezesseis anos quando a verdade o atingiu.Era uma tarde silenciosa. Demasiadamente.Ele entrou na sala com os ombros tensos, a mandíbula cerrada, os olhos acesos por u
**Lyra**O território respirou comigo quando o último vestígio de magia negra se dissipou. Senti isso sob meus pés descalços, como se Wolven Crest exalasse um suspiro após uma guerra que se prolongou demais. Não houve relâmpagos nem gritos. Apenas um calor suave e profundo, que purificou a terra sem feri-la. Era assim que devia terminar: sem violência, sem sangue.Pensei em tudo o que perdemos para chegar até aqui. Pensei no medo que me dominou por tanto tempo… e em como, mesmo assim, segui em frente.Porque confiava em Tharion, porque, por mais quebrada que estivesse, decidi confiar uma última vez no amor e no destino. E não me enganei. Porque, no fim, tudo valeu a pena.Os anciãos me observaram em silêncio quando dei o último passo à frente. Não havia acusação em seus olhares. Nem expectativa temerosa.—Lyra —disse o mais ancião—. Nós te reconhecemos como rainha.Senti um nó na garganta e algo apertando meu peito.—Você não foi uma arma —disse o ancião, inclinando a cabeça—. Nunca
Último capítulo