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Capítulo 5: O Limite da Indiferença

O guarda ficou nervoso e deu um passo para trás, o que fez com que eu me aproximasse ainda mais dele de forma perigosa.

Por fim, ele começou a gaguejar, tentando se explicar.

—A-a ex-Luna Lyra… foi levada para a masmorra… depois que a Luna Calista disse ao Alfa Rowan que ela deveria ser punida…

Meus dedos se contraíram. Eu não tinha dado nenhuma ordem para que Lyra fosse presa, muito menos punida.

Calista.

Eu queria saber o que havia acontecido, por que a decisão do Alfa Rowan, quando ele havia deixado o sofrimento de Lyra a meu cargo.

Mas antes que eu pudesse dizer algo ao guarda, o próprio Rowan apareceu de repente com um brilho de curiosidade e orgulho em seu olhar.

—Finalmente você voltou, Alfa Mikail —disse ele em um tom estranho, como se esperasse que meu retorno significasse algo mais do que uma simples presença em seu território.

Enfrentei seu olhar com a mesma hostilidade de sempre.

Não gostava que ele se achasse mais do que era só porque tinha o título de Alfa.

—Tive que me ausentar por algumas horas —respondi com simplicidade, cruzando os braços—, mas, ao voltar, ouvi algo interessante.

Rowan arqueou uma sobrancelha.

—Ah, é? —perguntou com falsa curiosidade.

Mantive o olhar fixo nele, apreciando a maneira como sua postura se tensionava.

—Ouvi dizer que a ex-Luna Lyra foi levada para a masmorra —disse friamente—. Que sua punição foi ordenada por você, por sugestão de sua futura Luna.

Seu rosto não demonstrou nenhuma reação imediata, mas eu não era idiota.

Suas pupilas se dilataram levemente e sua língua passou sutilmente pelo lábio inferior antes de falar. Ele estava nervoso.

—Foi isso mesmo —confirmou depois de alguns segundos, mantendo a postura rígida—. Não é problema seu, Mikail, ou é?

—Interessante —murmurei, percebendo como sua mandíbula se contraía.

Dei mais um passo à frente.

—Eu deveria estar encarregado dela enquanto ela estivesse aqui —disse calmamente, embora meu tom fosse uma lâmina bem afiada—. Desde quando você passou por cima da sua própria decisão, Rowan?

Sua expressão ficou sombria.

—Eu sou o Alfa desta matilha —rosnou ele, com uma tentativa de autoridade que quase me fez sorrir.

Quase.

Porque eu vi.

A pequena hesitação.

A breve vacilação em suas palavras antes de terminá-las.

Ele não estava seguro de si.

—Ah, não pretendo contrariar você —murmurei, deixando um pequeno sorriso curvar meus lábios. Não era um gesto de zombaria, mas algo pior—. Afinal, este é o seu território e ela faz parte da sua matilha.

Rowan engoliu em seco, sem responder. Meu beta, Krimson, moveu-se sutilmente atrás de mim, em uma postura pronta para qualquer coisa. 

—Vamos —ordenei, sem tirar os olhos de Rowan. Justamente quando me virei, a voz de uma mulher me deteve. 

—Você parece amigável demais, Alfa Mikail. 

Calista. A futura Lua da matilha Moonfang estava ao lado de Rowan, de braços cruzados e com um sorriso que não escondia totalmente seu desdém. 

Observei-a por um instante. Ela não me impressionava. 

—Sei ser cortês quando a ocasião exige —disse com calma, sem me deter mais do que o necessário. 

Não deixei de notar o modo como seus olhos me acompanharam até eu desaparecer na noite. 

Mas não me importei. Havia algo mais importante a fazer. 

*** 

A masmorra ficava na parte mais profunda do território. E o fedor de sangue a denunciava antes mesmo de eu vê-la. 

Krimson e eu descemos os degraus de pedra, com a umidade grudando em nossa pele. Não precisei que me dissessem qual era a cela. Soube no momento em que vi os rastros de sangue seco no chão. 

Parei diante da porta com grades e observei a figura lá dentro. Lyra. 

Ou o que restava dela. 

Seu corpo estava encurvado em um canto, com o vestido rasgado e grudado em sua pele ensanguentada. 

As marcas do chicote se estendiam por suas costas, algumas ainda abertas, outras cicatrizando com dificuldade. 

Observei-a em silêncio. 

Ela não se movia. Krimson se aproximou um pouco mais e rosnou em desaprovação. 

—Ela não consegue se regenerar —murmurou—. Ela não tem loba. 

Não respondi. Não porque não tivesse nada a dizer, mas porque estava processando o impacto do que estava vendo. 

O castigo que lhe impuseram não tinha sido uma simples demonstração de disciplina. Tinha sido uma execução fracassada. 

Uma tentativa de quebrá-la completamente. Rowan tinha dito que não era problema meu. 

Mas… Meus dedos se contraíram. 

Não sabia o que me incomodava mais. Se o fato de ela estar naquele estado. Ou que tivessem feito isso pelas minhas costas. 

Virei-me lentamente para Krimson. 

—Traga-a. 

Meu beta piscou. 

—O quê? 

Olhei fixamente para ele. 

—Leve-a para o meu quarto. 

Não esperei por resposta. Apenas me virei e saí da masmorra, deixando o eco dos meus passos ressoando na pedra fria.

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