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Capítulo 3: Cativa à Sombra dos Alfas

—Ouvi bem, Alfa Mikail? —perguntou Rowan em tom controlado, embora seus olhos refletissem uma desconfiança crescente—. Você está dizendo que deseja ficar mais alguns dias na matilha?

Mikail assentiu calmamente, sem se abalar diante do aparente incômodo do Alfa.

—Tenho assuntos a resolver, e este parece ser o melhor lugar. Não quero causar nenhum transtorno —disse Mikail, embora seu tom sugerisse que ele sabia perfeitamente o quanto sua presença era incômoda.

Rowan franziu a testa. Assuntos a resolver?

O Alfa Mikail havia pedido que colocassem Lyra em um quarto depois que ela desmaiou, fazendo com que muitos da matilha questionassem sua decisão.

Agora ele se sentia entre a espada e a parede por ter aceitado; esperava que Mikail impusesse algum tipo de punição contra Lyra, mas essas não pareciam ser suas intenções.

Quais eram, na verdade?

O que mais o preocupava era o motivo da presença de Mikail. Ele ficara muito surpreso ao saber que era ele o mate de segunda chance de Lyra.

A ideia de que Mikail pudesse reivindicar Lyra a qualquer momento o enfurecia e o confundia ao mesmo tempo.

Rowan não pôde evitar sentir-se um pouco aliviado quando Mikail a rejeitou. Pelo menos, parecia que não havia um vínculo entre eles.

Mas até que ponto isso era verdade?

***

A sala estava em silêncio; apenas o som dos passos de Rowan quebrava a quietude enquanto ele caminhava de um lado para o outro, com a mente presa em um emaranhado de pensamentos.

Era tão difícil ser Alfa? Cada decisão parecia ter um peso insuportável.

Foi então que a porta se abriu de repente, e Calista apareceu, como sempre com sua presença imponente e um sorriso.

Ela sabia como mover as peças, como influenciar cada palavra, e Rowan, exausto por tudo o que tivera de enfrentar, não demorou a perceber sua chegada.

—Você parece exausto, querido —disse ela, aproximando-se com passos suaves até onde ele estava—. Você se deixou consumir por tantas coisas, por que não dá um tempo? A matilha está ansiosa.

Rowan soltou um suspiro; não havia tempo para descansar, e ele sabia disso.

—Não posso deixar minha matilha se dividir por causa de toda essa história da Lyra —resmungou, frustrado.

Calista o observou atentamente, seus olhos brilhavam com um brilho calculista. Ela se aproximou mais dele, segurando seu rosto entre as mãos com suavidade, como se tentasse acalmá-lo.

—Você sabe o que precisa fazer, Rowan. Ela está brincando com todos nós, com a matilha, e quebrou as regras de forma vergonhosa —disse ela em tom persuasivo.

—Talvez eu devesse tê-la ouvido…

—Se você realmente quer demonstrar sua força como Alfa, precisa colocá-la no seu lugar —interrompeu Calista com firmeza—. Você não pode continuar permitindo que aquela mulher ande por aí como se nada tivesse acontecido.

Rowan franziu a testa, olhando fixamente para Calista.

Ela estava certa, conhecia Lyra melhor do que ele e não queria mais complicações. No entanto, a pressão da situação o fazia duvidar.

Que outra opção ele tinha? Se a matilha percebesse sua fraqueza, tudo poderia desmoronar.

—Você quer que eu a coloque na masmorra? —perguntou ele, sabendo a resposta.

Calista sorriu, um sorriso frio e venenoso que ela disfarçou, embora deixasse claro seu objetivo.

—Exatamente. Se você mantiver ela aqui, como se fosse uma hóspede, todos vão pensar que você amoleceu, que não tem o que é preciso para ser um Alfa.

Ele começou a concordar lentamente e Calista aproveitou para aumentar a pressão.

—Você precisa enviar uma mensagem clara, e nada será mais contundente do que mostrar a todos que você não tolera traições em seu território.

—Que assim seja —respondeu ele finalmente, sem tirar os olhos dela—. Vou mandá-la para a masmorra.

Ele sabia que a decisão já estava tomada, e Calista havia conseguido influenciar seu julgamento, embora seu coração ainda vacilasse um pouco.

Calista, satisfeita por ter conseguido o que queria, deu-lhe uma rápida carícia no braço, como se fosse um gesto de consolo.

—Você verá que fez a coisa certa, querido Alfa —disse ela, e saiu da sala com um sorriso triunfante.

*~*~*

**Lyra**

Mikail estava de pé junto à janela, com sua figura imponente recortada contra a luz da lua.

Sua expressão era impenetrável, seus olhos escuros refletiam o mesmo vazio que eu sentia no peito.

Levantei-me com dificuldade, forçando-me a encarar sua presença.

—Por que você não deixou que me executassem? —minha voz saiu rouca, quase um sussurro. Não queria dar a ele a satisfação de me ver abatida, mas a dor de sua rejeição ainda ardia em meu peito.

Ele não se virou imediatamente. Parecia estar demorando, como se a resposta não tivesse importância.

—Você espera que eu seja inocente? —insisti, sentindo a incredulidade se misturar com a raiva que se acumulava dentro de mim.

Finalmente, seus olhos me encontraram, e a frieza neles congelou meu sangue.

—Não seja ingênua, Lyra —disse ele, com uma frieza cortante—. Não te salvei porque acreditava em você.

Franzi a testa. Não entendia nada.

—Então você me rejeitou porque…

—Eu te rejeitei porque você é uma mancha na minha reputação, uma vergonha para qualquer Luna da matilha Silverbane.

Suas palavras foram um golpe, atingindo o mais profundo do meu orgulho.

Mikail soltou uma risada seca, desprovida de qualquer tipo de compaixão.

—Você realmente achou que poderia ficar ao meu lado depois do que fez?

Abri a boca para me defender, para gritar que não tinha feito nada, mas o olhar dele me fez calar. Não havia espaço para dúvidas em sua mente.

—Então, por que me manter viva? —insisti, com meu orgulho me impedindo de baixar o olhar—. O que você espera de mim?

—Nada —respondeu, com cruel simplicidade.

—Você… —sibilei, irritada.

—Divirto-me vendo você inventar teorias idiotas sobre por que ainda está viva —respondeu sem hesitar, enquanto seus olhos verdes escuros me avaliavam com desdém—. Além disso, Rowan continua sendo seu Alfa. O que ele fizer com você não é problema meu.

E com essas palavras, ele se virou e saiu do quarto, deixando-me sozinha com o peso de seu desprezo sobre os ombros.

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