Mundo de ficçãoIniciar sessãoLaura Mendes está acostumada a lutar sozinha. Depois de perder o emprego que mal pagava suas contas, ela se vê sem saída enquanto tenta manter a mãe internada no hospital. Sem dinheiro, sem ajuda e com o mundo desmoronando ao seu redor, a última coisa que ela espera é receber uma proposta inesperada. Adrian Montenegro é um CEO poderoso, frio e inacessível desde a morte da esposa. Criar o filho sozinho já é difícil… mas quando os avós da criança entram com um processo para tirá-lo dele, Adrian precisa provar que pode oferecer algo que nunca quis ter novamente: uma família. A solução surge na forma mais improvável possível. Laura. Agora, um contrato une dois estranhos que carregam seus próprios fardos: um casamento falso que deveria resolver seus problemas. Sem amor. Sem sentimentos. Sem promessas. Mas viver sob o mesmo teto, cuidar de uma criança que precisa de ambos… e fingir ser uma família perfeita pode tornar impossível separar o que é acordo do que começa a parecer real. Porque alguns contratos são assinados com tinta… e outros acabam marcados no coração. 💙
Ler maisLaura Mendes
Boston no inverno tinha um jeito especial de fazer tudo parecer mais difícil. E era a terceira vez na semana que o trailer onde eu morava alagava com a chuva. O vento cortava o rosto das pessoas na rua, os carros avançavam lentamente pelas avenidas molhadas e o céu cinza parecia pesar sobre os prédios antigos do centro da cidade, e a minha bota encharcada após pisar numa poça de água me fazia lembrar o quanto eu era uma puta azarada. "Inferno" resmunguei. " Entrei rapidamente colocando os cabelos na touca e vestindo meu avental. O restaurante era quente, iluminado por lustres de cristal e cheio de gente rica que pagava pequenas fortunas para comer pratos que eu nunca teria dinheiro para experimentar, ou melhor, nem queria também. Só que a perfeição terminava na porta daquela maldita cozinha. "LAURA!" A voz do gerente atravessou o salão. "Você está dormindo? A mesa sete já chegou. O seu turno começa pela tarde, e mesmo assim você se atrasa." Eu apertei os dedos contra a bandeja que segurava. Trabalhava quase onze horas por dia sem parar, sem reclamar, o trabalho era escravo, mas eu não tinha outra solução... "É que eu me atrasei porque minha casa alagou.. e.." "Não me interessa. Se chegar atrasada novamente irei descontar do seu salário." Marcos revirou os olhos. "Então anda! Essas pessoas pagam mais numa refeição do que você ganha em duas semanas." Respirei fundo. Não soca a cara dele. Você precisa desse trabalho de merda Laura. Caminhei pelo salão tentando manter a postura profissional que o restaurante exigia. Foi quando eu vi os dois. Um homem e uma criança.O menino parecia ter uns seis anos. As pernas pequenas balançavam no ar enquanto ele observava o restaurante com curiosidade, como se tudo ali fosse uma grande aventura. Mas foi o homem que falava com a feição séria no celular que chamou a minha atenção. Terno escuro perfeitamente ajustado, postura rígida. Ele não aparentava ser apenas rico, parecia o tipo de homem que entrava em um lugar e esperava que tudo funcionasse exatamente como queria. Me aproximei com um sorriso mais falso que as bijuterias que eu usava e aproximei-me da mesa. "Boa noite. Sejam bem-vindos ao Bellmont. Posso anotar o pedido?" O menino levantou os olhos primeiro e olhou aquele cardápio cheio de comidas caras. Seu pedido me fez sorrir. "Você tem batata frita?" Eu sorri. "Temos sim." Ele inclinou a cabeça. "Crocante?" "Muito crocante." Ele abriu um pequeno sorriso satisfeito. "Então eu quero isso." Anotei no bloco e observei o homem que mexia no iPad sem me olhar direito. "E para o senhor?" Os olhos do homem se levantaram lentamente para mim. Por um segundo tive a sensação estranha de estar sendo avaliada. "O mesmo."a voz dele era grave. Assenti. "Já volto com o pedido." Alguns minutos depois voltei com os pratos. O menino estava tentando alcançar o copo de suco. "Cuidado, está quente", eu avisei. Ele tentou puxar o ketchup. A mão pequena esbarrou no copo. O vidro tombou numa taça de cristal quebrando e o suco se espalhou pela mesa. O menino congelou imediatamente. Os olhos azuis grandes e assustados como se estivesse esperando alguém gritar com ele. Peguei um pano rapidamente. "Ei pequeno, calma." Comecei a limpar a mesa. "Isso acontece o tempo todo aqui." Ele me olhou. "Sério?" "Muito sério." Abaixei a voz."Um homem derrubou uma garrafa inteira de vinho ontem." O menino abriu um pequeno sorriso. Coloquei outro copo na mesa. "Viu? Já resolvemos." Foi quando ouvi a voz de Marcos. "LAURA!" Meu estômago apertou. "Já volto.", falei para o menino. Caminhei até o balcão. "O que foi?" Marcos apontou para a mesa. "Você acha que isso aqui é creche?" "Foi… só um copo de suco." "Então ensina aquele moleque a se comportar!" Meu corpo inteiro ficou tenso. "Ele é só uma criança." Ele se inclinou para frente. "Você trabalha pra mim, garota. Não para defender cliente, vai cobrar a merda do copo que ele quebrou, custa caro." Apontou novamente."Vai lá e manda eles controlarem aquele pirralho." Foi quando uma voz masculina surgiu atrás de nós, próximo ao corredor do banheiro. "Você não vai mandar ninguém controlar meu filho." Virei imediatamente. Era o homem da mesa. Os olhos dele estavam fixos em Marcos. "E também não vai falar assim com ela." O restaurante inteiro parecia ter ficado em silêncio. Marcos cruzou os braços. "E quem você pensa que é?" O homem deu um passo à frente. "É melhor você nem saber" Silêncio. "Peça desculpas", ele disse. A voz dele não subiu. Mas algo nela fez até minha pele arrepiar. Marcos riu. "Ou o quê?" O homem o encarou por alguns segundos. "Ou eu faço esse restaurante perder a licença antes do fim da semana." O rosto de Marcos ficou vermelho. Ele virou para mim. "Isso é responsabilidade dessa garota, senhor. Você está demitida." Meu coração caiu no estômago. "O quê?" "Ouviu." Ele apontou para a porta. "Fora daqui." Dei um passo à frente. "Marcos, por favor…" Minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria. "Eu preciso desse emprego, você sabe… a minha mãe…" Ele bufou. Engoli seco. "Não é problema meu. Arrumarei outra garçonete mais obediente." "Eu faço o turno de outra pessoa. Eu limpo o salão inteiro. O que você quiser." Ele riu com desprezo. "Você está acabada aqui." "Marcos, por favor." Ele apontou para a porta. "Some da minha frente, Laura."E então acrescentou, com um sorriso cruel "Vagabunda, talvez arrume outra forma de ganhar dinheiro." O restaurante inteiro estava olhando. Meu rosto queimava. Tirei o avental devagar e coloquei no balcão. O hospital ficava a quinze minutos dali. Peguei o ônibus sem nem pensar. Quando cheguei ao quarto da minha mãe, tudo parecia igual. Ela estava deitada na cama. Imóvel. Os aparelhos ao redor dela faziam pequenos sons regulares. Segurei sua mão. "Oi, mãe." Minha voz saiu baixa. "Eu fui demitida hoje." Ela não se mexeu. Não respondeu. Apenas continuou respirando lentamente. Os médicos diziam que ela podia acordar.Ou não. Engoli o nó na garganta. "Mas eu vou dar um jeito, eu vou pagar seu tratamento."Apertei sua mão. "Eu sempre dou." Quando finalmente desci do ônibus, o vento frio de Boston atravessou meu casaco fino como se ele nem estivesse ali. A noite já tinha tomado conta da cidade. As luzes dos postes refletiam no asfalto molhado e o barulho distante do trânsito parecia mais alto naquele bairro silencioso. Caminhei pelo pequeno estacionamento de terra até chegar ao meu trailer. Era velho. A pintura branca estava descascando em vários pontos e uma das janelas tinha um pequeno pedaço de fita adesiva segurando o vidro rachado e a maldita água da chuva entrando por baixo. Subi os dois degraus de metal e abri a porta. Fechei a porta atrás de mim. Tirei os sapatos e sentei na beirada da cama. Minha cabeça girava. Sem emprego. Sem dinheiro. Sem ideia de como pagar o tratamento da minha mãe. Passei as mãos pelo rosto sem conseguir chorar. A vida havia tirado tanto, tanto de mim que eu não conseguia mais esboçar reações. "Você vai dar um jeito", murmurei para mim mesma. Mas pela primeira vez em muito tempo… eu não sabia como. Meu celular começou a tocar. Olhei para a tela. Número desconhecido. Quase ignorei. Mas algo dentro de mim disse para atender. "Alô?" Uma voz feminina respondeu do outro lado da linha. "Estou falando com Laura Mendes?" "Sim… sou eu." "Senhorita Laura, estou entrando em contato para oferecer uma entrevista de trabalho." Franzi a testa. "Entrevista?" "Sim." Houve uma pequena pausa. Isso era estranho. "A vaga é confidencial." Meu estômago apertou. "Que tipo de trabalho?" "Confidencial, senhora. " Olhei ao redor do trailer e parei na conta do hospital da minha mãe jogada sobre a bancada. Minha voz saiu quase num sussurro. "Quando?" "Se estiver interessada, compareça amanhã às nove da manhã em ponto." Outra pequena pausa. "Não se atrase. O contratante não tolera atrasos." Eu suspirei. Bom, fodida eu já estava mesmo, e o meu passado… bom, de alguma forma eu teria que seguir em frente. "Estarei lá." disse em voz baixa.Laura MendesTheo ainda estava agarrado a mim, a respiração finalmente tranquila, como se todo o caos tivesse sido drenado do corpinho dele. Minha mão continuava em seus cabelos, em um movimento lento, quase automático, como se parar significasse que tudo poderia voltar. Mas não era nele que eu estava focada.Era na presença parada na porta.Levantei os olhos devagar.Adrian não tinha se aproximado, não tinha dito nada, apenas observava, com aquela expressão fechada que parecia esconder mais do que mostrava, como se sentir fosse algo que ele tivesse aprendido a evitar.Com cuidado, me afastei de Theo, ajeitando-o na cama, soltando seus dedos dos meus aos poucos."Ele dormiu", falei baixo, mais para quebrar o silêncio do que por qualquer outra coisa.Adrian entrou no quarto sem responder. Seus passos eram firmes, controlados, e por um segundo achei que ele diria algo… qualquer coisa. Mas não. Ele apenas se inclinou, beijou a testa do filho e saiu logo em seguida, como se eu não estives
Laura MendesMeu rosto queimava, mas não era só vergonha — era aquela sensação sufocante de estar sendo colocada contra a parede, sem uma saída real, como se qualquer resposta que eu desse já estivesse decidida antes mesmo de eu abrir a boca.Eu queria recusar aquele emprego, mas tinha vinte e quatro anos, apenas trinta dólares na carteira e uma porrada de dívidas e uma vida problemática.Queria manter o pouco de dignidade que ainda me restava, virar as costas e sair dali com a cabeça erguida… mas a imagem da minha mãe, imóvel naquela cama de hospital, respirando com ajuda de aparelhos, esmagou qualquer impulso de rebeldia que ainda existia em mim.Eu engoli seco e abaixei a cabeça sem conseguir olhar nos olhos daquele maldito desembargador. "Eu aceito o trabalho."Minha voz saiu mais baixa do que eu gostaria, mas firme o suficiente para não soar como um pedido.Ele não demonstrou surpresa, nem satisfação. Apenas assentiu, como se aquilo fosse inevitável."Como imaginei."Aquilo me irr
Adrian Montenegro Há um momento em sua vida, que as coisas começam a não fazer sentido. E era assim que eu me sentia após um acidente de carro levar Tessa, a minha esposa morta. "Sr. Montenegro." a secretária bateu na porta levemente." Ligaram da sua casa, outra babá pediu as contas." Esmurrei a parede do escritório com força até sentir meus punhos ficarem vermelhos. Nenhuma maldita empregada conseguia lidar com o emocional de uma criança de seis anos que viu a mãe se partir em pedacinhos na sua frente. E para ser sincero,nem eu mesmo sabia. "Puta que pariu!" suspirei exarcebadamente com as mãos na cabeça." Obrigada, eu darei um jeito, pode sair." Era assim a minha vida agora. Procurando babás, tentando ser o minimamente presente na vida de uma criança que não tinha culpa de nada. Saí do trabalho diretamente para uma casa noturna ali próxima. Eu já tinha perdido a conta. Era sempre a mesma coisa. Elas chegavam confiantes,educadas, profissionais. E em poucos dias estavam indo em
LauraO ônibus me deixou três quadras antes do endereço. Vejo um espelho em frente a uma loja chique, confiro novamente a roupa. Um vestido preto social que ia até meus joelhos, um salto preto de aproximadamente três centímetros e os cabelos num coque.Eu fiquei alguns segundos parada na calçada, olhando o endereço amassado na minha mão como se ele fosse se transformar em outra coisa se eu olhasse o suficiente.Puta merda. Enquanto eu andava quase me perdia. Casas enormes, jardins perfeitamente podados, carros luxuosos estacionados nas entradas de pedra. Aquela parte da cidade parecia existir em outra realidade, muito distante da minha.Engoli seco e comecei a caminhar. Cada passo fazia meu estômago apertar mais.Eu tinha usado o último dinheiro que tinha para pagar aquela passagem de ônibus. Se aquilo fosse alguma espécie de brincadeira cruel…O papel tremia levemente entre meus dedos quando finalmente parei diante do portão.Era alto, de ferro preto, com detalhes ornamentados que p
Último capítulo