03. Única chance

Adrian Montenegro

Há um momento em sua vida, que as coisas começam a não fazer sentido. E era assim que eu me sentia após um acidente de carro levar Tessa, a minha esposa morta.

"Sr. Montenegro." a secretária bateu na porta levemente." Ligaram da sua casa, outra babá pediu as contas."

Esmurrei a parede do escritório com força até sentir meus punhos ficarem vermelhos. Nenhuma maldita empregada conseguia lidar com o emocional de uma criança de seis anos que viu a mãe se partir em pedacinhos na sua frente. E para ser sincero,nem eu mesmo sabia.

"Puta que pariu!" suspirei exarcebadamente com as mãos na cabeça." Obrigada, eu darei um jeito, pode sair."

Era assim a minha vida agora. Procurando babás, tentando ser o minimamente presente na vida de uma criança que não tinha culpa de nada.

Saí do trabalho diretamente para uma casa noturna ali próxima.

Eu já tinha perdido a conta. Era sempre a mesma coisa. Elas chegavam confiantes,educadas, profissionais. E em poucos dias estavam indo embora, com desculpas esfarrapadas ou simplesmente… fugindo.

E eu não podia culpá-las, nem eu sabia como lidar com o meu próprio filho e suas crises. A culpa invadia meu ser.

Eu fazia de tudo para não lembrar do passado e da noite em que Tessa foi esmagada viva pelo carro.

Soltei uma risada amarga.

"Que porra de pai você é …"

Peguei o paletó e saí do escritório antes que pudesse pensar demais.

Tudo que eu sabia era que a mulher por quem me apaixonei quando adolescente estava morta — levada em alta velocidade por alguém que saiu de casa destinado a destruir as nossas vidas.

Meu telefone vibra no bolso do paletó, mas eu o ignoro. Minha atenção se move até as luzes piscando da casa noturna que estava cheia.

Corpos se movendo sem pensar em nada… Perfeito.

Exatamente o tipo de lugar onde ninguém fazia perguntas.

Meus olhos viajam sobre as mulheres ao redor do polidance, mas sigo diretamente até o bar.

"Uísque, dose dupla", pedi.

O bartender não perguntou nada, apenas me serviu como já estava acostumado.

Virei o copo de uma vez sentindo a minha garganta arder e o mundo começar a ficar um pouco mais lento.

Mais distante.

"Você anda sumido, querido" A voz feminina surgiu ao meu lado.

Eu nem precisei olhar para saber quem era.

"Não estou com paciência hoje Lexye", respondi, seco.

Ela riu levemente.

"Você nunca está" fez beiço." Sei que é o maior advogado da cidade, mas pode arrumar um tempo para mim.

Virei o rosto. Ela estava ali, loira, lábios carnurdos, sorriso ousado. Sempre disponível. Uma das poucas constantes na minha vida nos últimos meses.

Uma mulher que não exigia nada de mim. E era exatamente por isso que eu a mantinha por perto.

Mas, naquele momento…nem isso me interessava.

Ela se aproximou um pouco mais.

"Quer subir? Eu posso fazer o que você quiser."

Fechei os olhos por um segundo.

Antigamente, isso seria automático, numa tentativa frustrada de esquecer os doces olhos de Tessa. Eu ressaltava… Porra Adrian, já fazem dois anos que ela morreu. Mas parece que foi ontem.

"Não", respondi.

Ela arqueou a sobrancelha. "Uau. Isso é novo."Ela me observou por alguns segundos antes de dar de ombros.

"Como quiser."

Se afastou sem drama, sem insistência. Exatamente como sempre foi.

E foi aí que eu percebi.

Mulheres, para mim, tinham se tornado…funcionais, descartáveis, sem rosto e sem importância.

Porque a única que importava… não estava mais ali.

"A voz grave surgiu atrás de mim.

Meu corpo inteiro ficou rígido. Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar.

Virei devagar.

"Você não é digno de cuidar do meu neto."

O maldito pai de Tessa.

Meu maxilar travou.

"Não começa."

Ele deu um passo à frente.

"Eu nunca gostei de você, Adrian, nunca foi digno da minha filha. Aquele acidente foi culpa sua!! Se não fosse pelo sobrenome do seu pai, você não seria ninguém."

"Eu jamais faria nada que pudesse machucar a mãe do meu filho…"esmaguei as palavras."

Você acha que pode criar aquela criança?" ele continuou, ignorando minha resposta. "Olhe para você."

Soltei uma risada seca.

"Ele é meu filho, não seu, Xavier."

"Você está se destruindo. Pode ser um grande desembargador, mas eu sou um juiz também, Adrian. E não se esqueça do que eu sei e posso fazer com você."

Minha paciência acabou ali e eu me levantei.

"Você não é louco o suficiente pra tentar tirar meu filho de mim." segurei seu terno."

O olhar dele endureceu.

"Não tenha tanta certeza. Posso destruir você se quiser." Eu tenho dinheiro", ele continuou. "Influência. E motivos suficientes."

Dei um passo à frente.

"Você não encosta no meu filho."

Ele me encarou por mais alguns segundos em seguida virou as costas.

"Isso ainda não acabou, Adrian."

E foi embora. E pela primeira vez em muito tempo…com medo.

Eu não lembro exatamente como cheguei em casa.

Mas lembro do barulho. O vidro quebrando.

O som ecoando pela sala.

"Merda!"

Outro objeto voou contra a parede.

A casa, antes silenciosa, agora parecia um reflexo do caos dentro da minha cabeça.

"Que droga!"

Passei a mão pelo rosto.

"Papai?"

A voz doce cortou o ar. Theo estava parado na escada.

Os olhos grandes olhando ao redor e encarando a minha mão sangrando.

Meu estômago afundou.

"Ei…campeão."Minha voz saiu mais baixa. Desculpa."

As palavras saíram antes que eu pudesse pensar e eu o puxei para um abraço.

"Eu tô aqui", murmurei. "Eu não vou a lugar nenhum."

E foi ali com meu filho nos meus braços.

No meio do caos que eu mesmo criei…que uma imagem surgiu na minha cabeça.

A garçonete. A forma como ela falou com ele. A paciência…Algo que eu claramente não tinha.

Soltei o ar lentamente e uma maldita ideia surgiu a minha mente.

Talvez… talvez aquela garçonete fosse a única chance que eu tinha de não perder tudo.

Peguei o telefone rapidamente e liguei para Raquel.

"Raquel, pesquise sobre uma pessoa para mim."

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