Samuel
Anny está deitada na cama, ligada ao soro, pulseira de hospital no pulso, aparelho medindo pressão ao lado. O lençol sobe e desce devagar com a respiração dela. A barriga está ali, firme, mas parece mais frágil do que nunca.
Me aproximo devagar.
— A culpa é minha. — deixo escapar, antes de conseguir segurar. — Eu devia estar com você essa noite.
Ela vira o rosto na minha direção. O olhar está cansado, mas não vazio.
— Você devia estar onde estava mesmo. — responde, amarga. — No palco, sorrindo com sua esposa.
Engulo seco.
— Eu saí assim que soube. — tento justificar.
— Parabéns. — ela retruca. — Demorou só um tombo para lembrar que eu existo fora do contrato.
Antes que eu responda, a médica entra de volta no quarto, com uma prancheta nas mãos.
— Senhor Samuel. — ela me cumprimenta, profissional. — Podemos conversar um pouco?
— Aqui. — digo. — Na frente dela.
Anny faz um pequeno aceno com a cabeça, concordando. A médica consulta rapidamente as anotações.
— A queda não causou s