AnnyAntes de conhecer a mansão dos Zaskc, eu já tinha perdido tanta coisa que achava que não sobrava mais nada para tirarem de mim.Meu mundo acabou sete anos atrás, dentro de um ônibus. Eu tinha quinze. Estava sentada do lado da janela, encostada no ombro da minha mãe, voltando de uma visita à casa da minha avó. Meus irmãos gêmeos, dois anos mais velhos, estavam lá atrás, fazendo piada com qualquer coisa, rindo alto demais. Meu pai cochilava, com aquele jeito de quem trabalha o dia inteiro e aproveita qualquer banco pra descansar.Lembro do barulho até hoje. Um freio longo, o grito do motorista, o estalo de metal rasgando metal. Depois, silêncio.Quando acordei, tinha vidro no meu cabelo, cheiro de gasolina e ferro quente no ar. O ônibus estava de lado, gente chorando, gritando nomes. Chamei pelos meus pais e irmãos.— Mãe? Pai? Léo? Luan?Ninguém respondeu.Não vou descrever o resto. Tem coisa que nem eu quero lembrar inteira. Só sei que, naquele dia, numa estrada qualquer, eu de
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