Anny
Voltar para a mansão não é voltar para o mesmo lugar. Saio do hospital com uma mistura de alívio e desconfiança. O bebê está bem, o repouso está funcionando, mas a parte mais difícil não é o corpo. É saber para onde estou voltando.
Quando o carro para diante da mansão, percebo detalhes que antes não via. Menos gente circulando na porta, menos olhares curiosos. A governanta abre minha porta com um cuidado que não tem nada a ver com etiqueta.
— Devagar. — ela pede. — Nada de pressa.
Subo pelo elevador interno, não pela escada principal. Quando as portas se abrem, percebo a primeira mudança.
Meu quarto não é mais o mesmo.
A governanta empurra a porta e eu encontro outro ambiente. Ainda parece quarto de hóspede, mas agora fica mais perto da ala principal da família. A janela dá para o jardim interno, não para o muro. A cama é maior, o banheiro tem barras de apoio. A segurança está ali, mas de um jeito mais discreto, sem o guarda plantado na porta como se eu fosse fugir pela janela.