Capítulo 2

Capítulo 2

Amanda Salles

Eu ainda estava tentando entender o que tinha acabado de acontecer.

As pessoas continuavam murmurando ao redor da sala, como se aquela notícia absurda fosse apenas mais um detalhe em um dia comum, os olhos deles sobre mim, como se eu fosse apenas mais uma interesseira.

Mas para mim…

Parecia que o chão tinha desaparecido sob meus pés.

Casar com André Luís Albuquerque.

Meu estômago se revirou.

Olhei para minha avó, que ainda segurava minha mão. O rosto dela estava pálido, os olhos marejados.

— Amanda… — ela murmurou.

Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, uma voz fria cortou o ar.

— Venha comigo.

Meu corpo inteiro ficou tenso.

Levantei o olhar lentamente.

André estava me encarando.

Não era um convite.

Era uma ordem.

— Eu acho que vocês dois precisam conversar — disse o advogado, com um tom cauteloso.

André não respondeu.

Ele simplesmente virou as costas e começou a caminhar em direção ao corredor da mansão.

Esperando que eu o seguisse.

Meu coração disparou.

— Minha menina… — minha avó sussurrou, apertando minha mão.

Respirei fundo.

Se eu não fosse agora… ele viria me buscar.

E algo me dizia que isso seria muito pior.

Soltei os dedos da minha avó e caminhei atrás dele.

O corredor que eu conhecia tão bem, hoje parecia interminável.

O som dos meus passos ecoava no mármore polido, enquanto André seguia na frente sem sequer olhar para trás.

Ele abriu uma porta com força.

O antigo escritório do senhor Orlando.

Por um segundo, meu peito apertou.

Era ali que eu costumava trazer o chá dele todas as tardes.

Era ali que ele me perguntava sobre a faculdade.

Era ali que ele dizia que eu teria um futuro brilhante.

Agora… tudo parecia frio e vazio.

André entrou e bateu a porta atrás de mim.

O som ecoou pela sala.

Meu coração disparou.

Ele caminhou até a mesa enorme de madeira escura, apoiando as mãos sobre ela.

O olhar dele caiu sobre mim lentamente.

Frio e perigoso.

— Então… — ele disse, inclinando levemente a cabeça. — Você armou isso muito bem, não foi?

Eu pisquei, confusa.

— O quê?

Ele riu, sem humor.

— Não finja surpresa, Amanda.

Meu peito apertou.

— Eu não fiz nada.

— Claro que fez — ele respondeu, cruzando os braços. — Você e aquele velho.

— Não fale assim dele — as palavras escaparam antes que eu pudesse me controlar.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

Muito pesado.

Os olhos de André escureceram.

— Você está me dando ordens agora?

Meu coração disparou.

— Não… claro que não eu só...

Ele começou a caminhar lentamente pela sala.

Como um predador.

— Você sempre foi muito boa nisso — ele continuou. — Com aquela cara de santa… conquistando a confiança dele.

Cada palavra era carregada de desprezo.

— Eu cuidava dele porque ele precisava — respondi, tentando manter a voz firme.

— Ah, claro — André murmurou. — A neta da governanta, sempre tão prestativa, tão boazinha, um anjo e eu o demônio.

Ele parou bem na minha frente.

Perto demais.

Meu corpo inteiro ficou rígido.

Ele era alto.

Muito alto.

E naquele momento parecia ainda mais ameaçador.

— Um milhão de reais — ele disse, olhando diretamente nos meus olhos. — E uma casa.

Ele inclinou levemente o rosto.

— Nada mal para alguém que cresceu limpando as latrinas dessa mansão.

A humilhação queimou dentro de mim.

Mas eu não abaixei a cabeça.

Não dessa vez.

— Eu nunca pedi nada disso.

Algo mudou no olhar dele.

Por um segundo.

Algo quase imperceptível.

Mas desapareceu tão rápido quanto surgiu.

Ele se afastou, passando a mão pelos cabelos escuros.

— Não importa — disse ele. — O problema agora é outro.

Ele abriu uma gaveta da mesa e puxou alguns papéis.

— O contrato.

Meu coração acelerou novamente.

Ele jogou os papéis sobre a mesa.

— Se vamos fazer essa palhaçada… vamos fazer do meu jeito.

Engoli em seco.

— Do seu jeito?

Ele sorriu.

Mas não era um sorriso gentil.

Era um sorriso cruel.

— Sim.

Ele pegou uma caneta e começou a girá-la entre os dedos.

— Já que você vai ser minha esposa pelos próximos 365 dias, precisamos estabelecer algumas regras.

Um arrepio percorreu minha espinha.

— Regras?

— Muitas regras — ele respondeu calmamente.

Ele levantou um dedo.

— Regra número um.

Meu coração batia forte.

— Você vai se mudar para o meu quarto.

Meu rosto esquentou.

— O quê?

— Você ouviu.

Ele inclinou a cabeça.

— Seremos casados, lembra?

— Mas isso não significa—

— Significa exatamente isso — ele interrompeu.

Meu peito subia e descia rapidamente.

— Não vou dividir uma cama com você.

Ele riu.

Baixo.

Perigoso.

— Você acha que eu quero dormir com você?

Aquilo doeu mais do que deveria.

— Então por que—

— Porque as pessoas precisam acreditar — ele respondeu. — Funcionários, aliados… inimigos.

Ele se aproximou novamente.

— No meu mundo, fraqueza é um convite para ser destruído.

Engoli em seco.

— Regra número dois — ele continuou.

A caneta bateu duas vezes na mesa.

— Você vai agir como minha esposa em público.

— Isso já estava implícito no contrato.

— Não estava implícito o suficiente — ele disse.

Seu olhar deslizou lentamente por mim.

— Você vai sorrir quando eu mandar.

— Você vai me acompanhar em eventos.

— E vai fingir que está feliz.

Meu estômago revirou.

— E se eu não quiser?

Ele sorriu novamente.

Frio.

— Então talvez você devesse lembrar da casa da sua avó.

Minhas mãos fecharam em punhos.

Ele sabia exatamente onde atacar.

— Regra número três.

Ele levantou outro dedo.

— Você não vai tocar em nada que seja meu.

— Isso inclui minha vida, meus negócios… e minhas decisões.

— Eu não quero saber de onde vem seu dinheiro — respondi.

Ele deu de ombros.

— Ainda assim.

Silêncio.

Ele levantou o quarto dedo.

— Regra número quatro.

O olhar dele se tornou ainda mais sombrio.

— Você nunca vai mentir para mim.

Meu coração pulou no peito.

— Nunca. Odeio mentira.

Ele se inclinou levemente.

— E se eu descobrir que você mentiu…

A voz dele ficou quase um sussurro.

— Você não vai gostar das consequências.

Um arrepio percorreu minha espinha.

— E a última regra — ele disse.

Regra número cinco.

Ele parou diante de mim novamente.

Tão perto que eu podia sentir o calor do corpo dele.

— Você não vai se apaixonar por mim.

Por um segundo, pensei ter ouvido errado.

Então ele continuou.

— Porque quando esses 365 dias acabarem…

Seus olhos estavam frios como gelo.

— Eu vou me divorciar de você sem olhar para trás.

Meu peito apertou.

Mas antes que eu pudesse responder, ele acrescentou:

— E você vai voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído.

Silêncio.

Meu coração batia tão forte que parecia ecoar na sala.

Respirei fundo.

Então levantei o olhar.

Direto para ele.

— Você esqueceu de uma coisa.

Os olhos dele se estreitaram.

— O quê?

Minha voz saiu mais firme do que eu esperava.

— Eu ainda não disse que aceito.

Por um segundo…

A surpresa atravessou o rosto dele.

Mas então ele sorriu novamente.

Lento e perigoso como um verdadeiro predador.

— Vai aceitar.

Meu coração acelerou.

— E por que você tem tanta certeza disso?

Ele se inclinou perto do meu ouvido.

A respiração quente tocou minha pele.

— Porque você faria qualquer coisa pela sua avó.

Ele se afastou lentamente.

Os olhos escuros presos nos meus.

— E eu também faço qualquer coisa por poder.

O silêncio entre nós ficou pesado.

Muito pesado.

Então ele disse, com uma calma assustadora:

— Então, Amanda…

Ele deslizou a caneta sobre a mesa.

Na minha direção.

— Aceita?

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Luna_LohCéus, esse homem abre a boca e eu estremeço
Digitalize o código para ler no App