Capítulo 5

Capítulo 5

André Luís Albuquerque

Desci as escadas com passos rápidos.

As vozes no salão principal estavam altas demais para uma reunião da cúpula da máfia.

Isso nunca era um bom sinal.

Atrás de mim, Bruno vinha em silêncio. Eu conhecia aquele silêncio. Ele estava avaliando a situação antes de agir.

Quando entrei no salão, todos os olhares se voltaram para mim.

Mas não foi isso que chamou minha atenção.

Foi Amanda.

Ela estava no centro da sala.

Sozinha.

Meu maxilar se contraiu.

Na frente dela estava Valentina Moretti, a mesma que estava grudada em mim antes.

Era conhecida por causar problemas em qualquer lugar que pisasse.

Os olhos dela brilhavam com aquele tipo de diversão venenosa que algumas pessoas sentem ao humilhar os outros.

E ao redor delas…

Homens perigosos.

Chefes de territórios.

Aliados da família Albuquerque.

Todos assistindo.

Um espetáculo.

— Olha só quem resolveu voltar — Valentina disse com um sorriso torto quando me viu.

Ignorei completamente a provocação.

Meu olhar estava preso em Amanda.

Ela parecia menor no meio daquela sala.

O vestido claro contrastava com o ambiente escuro e pesado.

Mas algo estava diferente.

Ela não estava chorando.

Não estava fugindo.

Estava parada.

E encarando Valentina.

Interessante.

— Acho que sua esposa se perdeu — disse Valentina, girando a taça de vinho na mão. — Esse salão não é lugar para meninas que cresceram limpando chão.

Alguns homens riram baixo.

Meu sangue ferveu.

Mas eu não me movi.

Queria ver o que Amanda faria.

Valentina deu mais um passo em direção a ela.

— Você realmente acha que virou uma de nós só porque assinou uma porcaria de um papel?

Silêncio.

Amanda respirou fundo.

E então falou.

A voz dela não saiu tremida.

— Eu nunca quis ser uma de vocês.

Alguns olhares curiosos surgiram na sala.

Valentina arqueou uma sobrancelha.

— Então por que está aqui?

Amanda ergueu o queixo.

E respondeu algo que fez o ar da sala mudar.

— Porque agora eu sou a esposa do Don.

Silêncio absoluto.

Por um segundo inteiro, ninguém respirou.

Bruno soltou um riso baixo atrás de mim.

Valentina piscou duas vezes.

Claramente não esperava aquilo.

— Esposa? — ela repetiu com desprezo. — Você?

Ela riu.

— Querida, você não faz ideia do mundo em que acabou de entrar.

Amanda não se moveu.

— Talvez não.

— Mas eu sei quem eu sou.

Valentina inclinou a cabeça, analisando Amanda como se estivesse observando um animal curioso.

— E quem exatamente você acha que é?

Amanda respondeu sem hesitar.

— A mulher do homem mais poderoso desta sala.

O silêncio voltou.

Mais pesado.

Mais perigoso.

Alguns homens começaram a trocar olhares.

Porque naquele mundo…

Título significava poder.

E Amanda acabara de reivindicar o dela.

Valentina riu novamente.

Mas dessa vez havia irritação na risada.

— Você acha que isso significa alguma coisa?

Ela se aproximou mais.

Perto demais.

— Você é apenas uma substituta temporária.

— Uma esposa de contrato.

Meu corpo ficou tenso.

Porque aquilo era verdade.

Mas Amanda não parecia abalada.

— Talvez — ela respondeu calmamente.

Valentina estreitou os olhos.

— Talvez?

Amanda deu um pequeno passo à frente.

Foi sutil.

Mas foi um movimento de enfrentamento.

— Mas durante esses 365 dias…

Ela olhou diretamente para Valentina.

— Eu continuo sendo a esposa dele, e você gostando ou não, só te resta aceitar.

Um murmúrio percorreu o salão.

Bruno cruzou os braços ao meu lado.

— Cara… — ele murmurou baixo. — Acho que sua esposa tem dentes afinal.

Valentina perdeu o sorriso.

Finalmente.

— Você deveria tomar cuidado com a forma como fala comigo — ela disse.

Amanda inclinou levemente a cabeça.

— Por quê?

— Porque eu conheço André muito melhor do que você, sei exatamente tudo que ele gosta.

Aquilo chamou minha atenção.

Valentina então disse, olhando para Amanda com puro veneno:

— Eu já estive na cama dele mais vezes do que você pode imaginar.

A sala inteira ficou em silêncio.

Aquilo era um ataque direto.

Amanda piscou lentamente.

E por um segundo…

Eu pensei que ela fosse quebrar.

Mas então ela disse algo que fez Bruno gargalhar atrás de mim.

— Imagino que sim.

Valentina sorriu.

Achando que tinha vencido.

Mas Amanda continuou:

— Mas não deve ter sido lá essas coisas, porque nem isso fez com que a mãe esposa dele fosse você não é mesmo? Afinal uma mulher que se respeita não aceitaria ser apenas mais uma.

Alguns homens começaram a rir.

Valentina ficou vermelha.

— Sua—

Antes que ela terminasse a frase, eu decidi que o espetáculo tinha durado o suficiente.

Caminhei lentamente até elas.

O som dos meus passos ecoou pelo salão.

A sala inteira abriu espaço.

Valentina sorriu imediatamente quando parei ao lado dela.

— André…

Ela colocou a mão no meu peito.

— Estava apenas conversando com sua esposa.

Amanda olhou para mim.

Os olhos dela estavam diferentes.

Ainda havia nervosismo.

Mas também havia algo novo.

Coragem.

Eu olhei primeiro para Valentina.

Depois para Amanda.

— Então… — eu disse calmamente.

— Minha esposa está causando problemas?

Valentina riu.

— Na verdade eu estava tentando explicar para ela como as coisas funcionam no nosso mundo.

Ela se aproximou mais de mim.

Corpo colado.

— Afinal… você sabe que eu sempre cuidei muito bem de você.

A sala inteira observava.

Amanda também.

Eu então virei lentamente o rosto para ela.

— E você? — perguntei.

— Vai permitir isso?

Os olhos de Amanda se arregalaram.

A pergunta pegou ela de surpresa.

Valentina sorriu com arrogância.

Amanda me encarou por alguns segundos.

Depois olhou para a mão de Valentina no meu peito.

E então…

Ela virou as costas.

E saiu da sala.

Alguns homens riram.

Valentina soltou uma gargalhada.

— Viu só? — ela disse. — A menina não aguenta a pressão.

Mas naquele momento…

Eu já não estava mais olhando para ela.

Meu olhar estava preso na porta por onde Amanda saiu.

Algo dentro do meu peito se contraiu.

Então empurrei a mão de Valentina do meu peito.

Sem delicadeza.

Ela franziu o cenho.

— André?

Mas eu já estava caminhando para a porta.

— A festa acabou — eu disse para o salão.

Subi as escadas dois degraus por vez.

Quando cheguei ao corredor do segundo andar, já sabia exatamente onde ela estaria.

O quarto.

Abri a porta sem bater.

Amanda estava perto da janela.

De costas.

Os ombros tremiam levemente.

Ela estava chorando.

Quando ouviu a porta, virou rapidamente.

Os olhos vermelhos.

— Veio terminar de rir da minha cara?

Minha mandíbula se contraiu.

Fechei a porta atrás de mim.

— Você fugiu.

Ela soltou uma risada amarga.

— Claro.

— Era isso que você queria, não era?

Fiquei em silêncio.

Amanda passou as mãos pelo rosto.

— Eu sou um erro nesse lugar.

— Uma piada.

— A neta da governanta tentando brincar de esposa de mafioso.

Algo dentro de mim estalou.

Caminhei até ela.

Amanda tentou se afastar.

Mas segurei o braço dela.

— Olhe para mim.

Ela hesitou.

Então levantou o rosto.

Os olhos cheios de lágrimas.

— Escuta bem uma coisa, Amanda.

Minha voz saiu baixa.

Firme.

— Você não é mais apenas Amanda Salles.

Ela franziu a testa.

— Agora você é uma Albuquerque.

O silêncio tomou conta do quarto.

— E enquanto você carregar esse sobrenome…

Aproximei meu rosto do dela.

— Você vai agir como uma é a última vez que te falo isso.

Ela respirou fundo.

— Eu não sei como fazer isso.

Eu segurei o queixo dela.

— Então aprenda.

Meu olhar estava preso no dela.

— Porque fraqueza nesse mundo…

Minha voz virou um sussurro.

— Mata.

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