Mundo ficciónIniciar sesiónCapítulo 6
Amanda Salles Albuquerque Eu não consigo entender o que ele realmente quer de mim. Mas sinto que, para aguentar um ano aqui no meio da guerra em que ele vive eu vou ter que ser forte. Algo que eu nunca fui. Porque neste mundo… Fraqueza mata. Continuei olhando para o céu escuro pela janela, tentando acalmar a respiração, mas o medo vinha aos poucos, como uma sombra que se espalha dentro do peito. Eu devia ter dito não. Devia ter recusado essa loucura desde o começo. Quem eu quero enganar? Eu nunca serei a mulher de um Don. O som dos passos dele no quarto me fez gelar. Passos firmes, seguros… perigosos. Cada um deles parecia ecoar direto dentro de mim. Meu corpo inteiro se arrepiou, como se reconhecesse o perigo antes mesmo da minha mente. Então ele se aproximou ainda mais. — Você aceitou essa porra toda, Amanda… — a voz dele veio baixa, carregada de irritação — agora vai ter que suportar. Antes que eu pudesse reagir, ele segurou meus braços com força e me puxou contra o corpo dele. O calor dele me envolveu, intenso demais, próximo demais. — Me solta. Não me toque assim. Tentei me afastar, mas os dedos dele apertaram mais meus braços. — Você é minha esposa. Esqueceu? Eu te toco como eu quiser. O jeito como ele falou aquilo fez um nó apertar na minha garganta. — No contrato não diz que eu preciso fazer... sexo com você. Ele riu. Mas não foi uma risada leve. Foi amarga. — Trepar? Certo então... Você prefere me ver fazendo com outras? Os olhos dele escureceram. — Posso muito bem trepar com a Valentina aqui na sua frente, se quiser. Meu estômago revirou. — Não! A palavra saiu alta, rápida, quase um grito. Nem eu sabia de onde tinha vindo tanta força. Ele arqueou uma sobrancelha, me observando como se tivesse acabado de descobrir algo interessante. — Então você vai ter que fazer isso uma hora ou outra. Antes que eu percebesse o que ele estava fazendo, ele me empurrou contra a cama. Caí no colchão, o coração disparando. Ele veio por cima de mim. O peso do corpo dele me cercou, me prendendo ali. O medo subiu pela minha garganta como um incêndio. — O que você vai fazer? — minha voz saiu falha — Vai me estuprar? Por um segundo, algo mudou no olhar dele. Algo duro. — Jamais. A resposta veio firme. — Até os mafiosos têm princípios. Ele me olhou de um jeito que fez meu corpo inteiro ficar tenso. — Mas escuta bem uma coisa, Amanda… Ele se inclinou um pouco mais perto. A respiração dele bateu contra meu rosto. — Ainda vai chegar o dia em que você vai implorar para que eu te jogue na cama assim… e te possua. Meu coração parecia querer explodir dentro do peito. Ele se afastou de repente, como se nada tivesse acontecido. Ficou me olhando por alguns segundos, os olhos passando lentamente pelo meu corpo, como se estivesse gravando cada detalhe. Então virou as costas e saiu do quarto. A porta se fechou. E só então eu percebi que minhas pernas não respondiam. Elas tremiam tanto que parecia que iam ceder a qualquer momento, estavam moles feito pudim. Meu coração batia rápido demais. Forte demais. Mas não era só medo. E isso me assustava ainda mais. Porque quando ele saiu… um vazio estranho tomou conta do quarto, tomou conta de mim. Fiquei olhando para a porta por um longo tempo, tentando entender o que tinha acabado de acontecer aqui. Ou tentando entender a mim mesma. Com esforço, levantei da cama e arranquei aquele vestido do corpo como se ele estivesse queimando minha pele. Fui direto para o banheiro. A água do chuveiro caiu quente sobre mim, mas não conseguiu levar embora o arrepio que ainda corria pela minha coluna. Nem a sensação das mãos dele nos meus braços. Quando saí do banho, fui procurar minhas roupas. Abri a mala. O armário. As gavetas. Nada. Nem uma peça. Uma pegadinha cruel. Ou talvez um aviso silencioso de que, ali dentro, eu não tinha controle de nada. Suspirei frustrada. Acabei pegando uma camiseta preta dele que estava jogada sobre a poltrona. O tecido tinha o cheiro dele. Forte. Masculino. Perigoso. A camiseta mal cobria metade da minha bunda, mas era o único jeito. Voltei para a cama e me deitei, puxando o cobertor até o peito. Meu coração ainda estava inquieto. Só havia um pensamento repetindo dentro da minha cabeça. Espero que ele não ache que isso seja um convite para algo a mais. Porque, se ele entrar por aquela porta agora… Eu não tenho certeza se meu medo vai ser suficiente para me salvar dele... Eu não sabia quanto tempo tinha passado. A casa estava silenciosa demais. Grande demais. Fria demais. E eu me sentia pequena dentro dela. A camiseta que eu tinha pegado ainda carregava o cheiro dele. Forte. Masculino. Marcante. Tentei ignorar. Virei para o lado na cama, puxando o cobertor até quase o rosto, como se aquilo pudesse me proteger de alguma forma. Mas o cansaço acabou vencendo o medo. Em algum momento, sem perceber… eu dormi. Um sono leve. Inquieto. Cheio de pensamentos que pareciam me perseguir mesmo dentro dos sonhos. A porta do quarto se abriu devagar. André Luiz Albuquerque entrou em silêncio. Era tarde. Muito mais tarde do que ele imaginava que voltaria. A casa estava mergulhada na escuridão, iluminada apenas pela luz fraca que vinha da varanda. Ele fechou a porta atrás de si e então seus olhos foram direto para a cama. E ele parou. Amanda estava ali. Dormindo. Na cama dele. Usando uma camiseta preta que claramente era dele. O cobertor tinha escorregado para o lado enquanto ela dormia, deixando as pernas descobertas. A camiseta grande demais tinha subido um pouco com o movimento do corpo, revelando mais pele do que ele deveria ver. André ficou completamente imóvel. Por um instante, algo dentro dele travou. Ele já tinha imaginado Amanda adulta antes. Mais vezes do que gostaria de admitir. Mas vê-la ali… Na cama dele. Usando algo que era dele. Era diferente. Perigosamente diferente. Ele passou a mão pelo rosto devagar, como se tentasse organizar os próprios pensamentos. — Porra… — murmurou baixo. Amanda se mexeu levemente na cama. O movimento fez a camiseta subir um pouco mais. André desviou o olhar por um segundo, respirando fundo. Ele não devia olhar. Não daquele jeito. Não para ela. Não depois de tudo. Mas quando seus olhos voltaram para ela… algo nele já não estava exatamente no lugar. Porque, pela primeira vez, ele não estava vendo apenas a menina que cresceu naquela casa. A neta da governanta. A garota que corria pelos corredores da mansão enquanto ele fingia não reparar. Agora… Ela era uma mulher. E, gostando ou não… Era sua esposa. Mesmo que fosse apenas um contrato. Mesmo que ela ainda não aceitasse isso. André caminhou devagar até a cama. Parou ao lado dela. Ficou observando seu rosto por alguns segundos. Dormindo, Amanda parecia diferente. Mais calma. Mais frágil. Como se o mundo não estivesse pesando sobre ela naquele momento. Uma mecha do cabelo dela caiu sobre o rosto. Ele estendeu a mão quase sem perceber… mas parou antes de tocar. Seus dedos fecharam no ar. Como se tivesse se lembrado de quem era. Ou do tipo de homem que se tornou. Ele puxou o cobertor com cuidado e cobriu as pernas dela novamente. O gesto foi automático. Quase instintivo. Mas no momento em que sua mão encostou de leve na pele quente da coxa dela… Um arrepio subiu pelo braço dele. E algo dentro de André Luiz Albuquerque mudou. Porque agora ele não tinha mais certeza se conseguiria manter Amanda apenas como uma esposa de contrato.






