Narrado por Elena
O depois não chegou com barulho.
Não houve sirenes, nem corredores brancos, nem passos apressados. O depois chegou ali mesmo, dentro da casa da nonna, entre paredes que conheciam risos antigos, receitas de domingo e histórias que agora pareciam pertencer a outra vida.
Lisa morreu ali.
No quarto que cheirava a lavanda seca e lençóis ao sol. No quarto onde a janela dava para os vinhedos, onde o mundo parecia sempre mais lento, mais humano. No quarto que nunca deveria ter aprendido o significado da palavra fim.
O silêncio que veio depois foi diferente de tudo o que já vivi.
Não era ausência de som. Era ausência dela.
O corpo de Lisa permanecia deitado, pequeno demais na cama grande demais. Os traços serenos enganavam, como se quisessem convencer a todos de que aquilo fora fácil. Não foi. Eu sabia. Nós sabíamos. Mas a morte tem esse hábito cruel de suavizar o rosto de quem sofreu, como se pedisse desculpas tarde demais.
Don Marcello não se mexia.
Ele segurava a mão da fi