Narrado por Marcello Deluca
Eu sempre temi o silêncio.
Não o silêncio confortável das madrugadas tranquilas ou o silêncio estratégico antes de uma decisão importante. Eu temia o silêncio definitivo. Aquele que não pede resposta. Aquele que não volta atrás.
E agora ele estava ali, sentado comigo ao redor da cama da minha filha.
Lisa respirava.
Mas já não respirava como antes.
Cada movimento do peito era lento, pesado, como se o ar tivesse se tornado um fardo grande demais para o corpo dela carregar. Não havia dor estampada no rosto, apenas um cansaço profundo. Um cansaço antigo. Como se ela estivesse cansada há anos e só agora tivesse permissão para descansar.
Segurei sua mão.
Pequena. Frágil. Quente ainda.
Eu tentei memorizar a sensação. A textura da pele. O peso exato dos dedos dela sobre os meus. Porque alguma coisa dentro de mim sabia, com uma certeza cruel, que aquele toque estava com prazo de validade.
Sempre achei que pais fossem feitos para proteger. Para impedir o pior. Para