Narrativa: Alejandro Serrano
O avião cortava o céu como uma lâmina, mas nada era rápido o suficiente para o caos que se instalara dentro de mim.
A Espanha ficou para trás em questão de horas, mas o tempo, para mim, havia parado no exato momento em que ouvi o nome dela sair da boca de Don Marcello.
Lisa.
A forma como ele disse… havia algo errado. Não era apenas urgência. Era desespero contido. O tipo de desespero que homens como ele — homens acostumados a controlar guerras, vidas e destinos — só demonstram quando já perderam tudo.
O som constante das turbinas não conseguia abafar meus pensamentos.
Sequestrada.
A palavra ecoava dentro da minha cabeça como um tiro repetido, insistente, cruel. Lisa, nas mãos de alguém. Vulnerável. Sozinha. E eu… longe demais.
Fechei os olhos com força, apertando os punhos sobre as pernas. O rosto dela surgia em flashes desordenados: o sorriso contido, sempre mais triste do que queria mostrar; o olhar que escondia mais do que revelava; a maneira abrupta co