Narrativa: Alejandro Serrano
Matteo se levantou do sofá sem dizer nenhuma palavra.
Observei enquanto ele caminhava até um quarto próximo à sala. Seus passos eram firmes, mas havia algo pesado em seus ombros, como se carregasse um luto antigo demais para alguém tão jovem. A porta se fechou atrás dele, e o silêncio tomou conta do ambiente.
Minutos depois, ele voltou.
Trazia duas cartas nas mãos.
O papel parecia simples demais para carregar algo tão sério. Duas folhas dobradas com cuidado excessivo — o tipo de cuidado que se tem quando se escreve sabendo que talvez não haja volta.
Matteo caminhou até mim em total silêncio e estendeu as cartas. Seus dedos tremiam levemente.
— Essas cartas… — ele começou, a voz baixa — minha irmã te escreveu quando tudo o que ela podia fazer era observar de longe. Antes de mais nada, acho melhor você lê-las. — engoliu em seco. — Talvez isso te dê mais força para encontrá-la.
Eu não consegui dizer nada.
Peguei as cartas como se fossem frágeis demais para ex