Narrado por Marcello Deluca
O dia havia começado calmo na Toscana.
Uma calmaria que eu não presenciava havia muito tempo.
O sol brilhou durante toda a tarde sobre os vinhedos, espalhando uma luz dourada pelas colinas e pela casa da minha mãe, envolvendo tudo em uma falsa sensação de paz. Aquelas eram as horas em que o mundo parecia esquecer quem éramos, o que carregávamos no sangue, as guerras silenciosas que sempre rondaram o nome Deluca.
Mas eu sabia.
Sempre soube.
A paz, para nós, nunca durava.
Ainda assim, nada — absolutamente nada — poderia me preparar para o que estava prestes a acontecer.
O silêncio da tarde foi quebrado de forma abrupta por gritos de desespero. Um som cru, rasgado, que atravessou a casa como uma lâmina. Todos na sala se levantaram no mesmo instante, mãos indo instintivamente às armas, o reflexo de quem aprendeu a sobreviver antes mesmo de aprender a viver.
Ouvi passos pesados batendo contra o chão de pedra da entrada.
Meu coração se apertou.
Aquilo não era ape