Narrado por Matteo Deluca
Nunca fui de falar muito. Talvez porque, desde pequeno, aprendi que, na nossa família, as palavras valem menos do que os olhares. Menos do que a mão firme no ombro, o silêncio entre os dentes, o copo de vinho deixado intocado à mesa.
Mas, ultimamente, nem o silêncio tem me protegido da dor.
Lisa sempre foi a mais frágil — ou talvez a mais corajosa. Aquela que sentia o mundo mais fundo que todos nós… e, ainda assim, sorria.
Não sei exatamente quando o tempo começou a correr contra ela, só sei que, desde que a vi sair da sala com o olhar perdido e o corpo tremendo, algo dentro de mim desabou.
Ela escolheu não lutar.
E eu… estou tentando não odiá-la por isso.
Odeio admitir, mas eu a entendo. Vi minha mãe definhar naquele mesmo hospital, nos mesmos corredores, com a esperança morrendo aos poucos no olhar.
Lisa não quer isso. Ela quer a liberdade. Quer os seus últimos dias com dignidade, com cor, com céu aberto.
Mas como aceitar isso, quando tudo em mim só quer pr