Narrado por Lisa Deluca
Vittorio se levantou em silêncio. Os olhos vermelhos denunciavam o choro que ele tentou esconder — como sempre fazia. Um homem de poucas palavras e sentimentos intensos.
— Isso é tão errado… — murmurou, a voz rouca e embargada. — Mas tão você…
Passou a mão pelos cabelos e, por um segundo, permitiu-se um meio sorriso triste, quase cúmplice.
— Então vamos fazer isso direito. Sem mentiras, sem promessas impossíveis. Só… do nosso jeito.
Pietro se aproximou devagar, carregando no olhar aquela mistura agridoce de amor e frustração. Não me abraçou, não tentou me convencer do contrário. Apenas sentou-se ao meu lado, os ombros tensos, as mãos inquietas.
— Você vai me deixar participar dessa lista? — perguntou, com um tom quase infantil, como quem implora por um lugar no tempo que ainda me resta.
— Claro — respondi, oferecendo um sorriso pequeno, mas sincero. — Mas só se não reclamar quando eu te arrastar pra dançar na chuva.
Ele bufou, revirando os olhos, fingindo impac