Narrado por Lisa Deluca
Acordei com o som monótono das máquinas e o cheiro estéril do hospital invadindo meus sentidos. Por um instante, não soube onde estava. Tudo era branco demais. Frio demais. Vazio demais. Como se a vida tivesse me abandonado e deixado apenas um eco no lugar do corpo.
Meus olhos demoraram a se ajustar à luz fraca do quarto, e quando finalmente consegui focar, havia um soro preso ao meu braço. O monitor ao lado apitava lentamente, como um lembrete cruel de que eu ainda estava ali — presa entre a lucidez e o abismo.
Tentei me sentar, mas uma tontura me derrubou de volta no travesseiro. Respirei fundo. A febre ainda queimava sob a pele, mas não como antes. Agora era um calor brando, como brasas escondidas sob cinzas: prestes a reacender ou apagar de vez.
A porta se abriu com cautela. Um médico jovem entrou, gentil, mas distante. Seus olhos carregavam aquele tipo de preocupação treinada, que toca a superfície sem jamais mergulhar.
— Senhorita Deluca — disse, consulta