Narrado por Lisa Deluca
No avião, sentada na primeira classe com os olhos ardendo e a alma em péssimos, encostei a testa no vidro gelado da janela. Lá fora, a escuridão da noite se confundia com a minha — como se o mundo refletisse o caos silencioso que me consumia por dentro.
Peguei papel e caneta. Os dedos trêmulos desenhavam palavras com uma precisão que não combinava com o colapso em meu peito. Escrevi com a mão firme, mas com o coração em ruínas.
Alejandro,
Se você está lendo isso, é porque eu fui covarde demais para te dizer a verdade olhando nos olhos.
Talvez porque, no fundo, eu soubesse que, se te visse de novo, não conseguiria partir. O som da sua voz, o peso do seu olhar, o toque das suas mãos — tudo em você teria me quebrado. De novo.
E eu não podia me permitir isso. Não agora.
Eu queria te dizer que te amei.
Com cada fôlego contido, com cada mentira que contei para mim mesma.
Te amei desde o primeiro olhar, desde a primeira palavra atravessada, desde aquela dança silencio