Narrado por Alejandro Serrano
A água fria do Mediterrâneo ainda escorria pelo meu corpo, mas era o calor dela que permanecia impregnado na pele. A noite tinha o gosto salgado do mar e da confissão muda que foi o toque entre nossos corpos. Vi-a diante de mim, nua — não apenas de roupas, mas de defesas. E aquilo me atingiu de um jeito que nenhuma guerra, nenhum pacto de sangue jamais foi capaz.
Lisa era um segredo que eu não sabia como guardar.
No mar, os olhos dela tinham algo de fim do mundo — como se estivesse se despedindo de tudo, inclusive de mim, mesmo quando dizia querer se perder nos meus braços. E, por Deus, eu permitiria que ela se perdesse em mim quantas vezes quisesse. Mas havia algo que ela não dizia. Eu sentia. Como um sussurro preso na garganta.
Minha casa, que sempre foi um antro sagrado, agora tinha o cheiro dela em cada canto. Minha cama, que me dava paz, agora só guardava as lembranças da menina Deluca sobre meus lençóis. E minha cabeça… carregava um caos que nenhum