Narrado por Elena Moretti
Desde o primeiro dia em que pisamos na Espanha, eu soube. Não porque Lisa me contou algo. Ela não precisaria. Bastava olhar nos olhos dela.
Talvez tenha sido o jeito como ela olhou pela janela do táxi, com aquela expressão vazia de quem já se despediu do que ama. Ou talvez tenha sido os sorrisos — não os verdadeiros, mas os ensaiados, mecânicos, alinhados como um escudo. Eu conheço minha melhor amiga melhor do que conheço a mim mesma. E aquilo nos olhos dela… não era só tristeza. Era como se ela carregasse a própria morte nos ombros, silenciosa, disfarçada em charme e ironia.
Desde então, algo em mim começou a se partir também. A cada passo que dávamos, a cada madrugada dançada, a cada gargalhada forçada, eu sentia que estava perdendo Lisa aos poucos. Não para um homem. Não para uma máfia. Mas para algo muito mais cruel. Algo invisível.
Naquela noite, depois da balada, tudo ficou ainda mais claro. Lisa parecia… longe. Dançava como quem desafia o tempo, como s