Narrado por Lisa Deluca
Um ano.
365 dias.
Ou talvez menos.
Essa era a sentença.
Não importava quantas palavras fossem ditas depois, quantos braços tentassem me amparar — a verdade era um punhal silencioso cravado entre as costelas.
Não consegui dizer mais nada. A garganta ardia, seca, sufocada por um grito que nunca sairia. Levantei-me da cadeira sem olhar para ninguém, sem esperar mãos que tentassem impedir. Se me segurassem, eu cairia. E eu não queria cair. Não na frente deles. Ainda não.
Saí da sala como uma sombra. Meus passos eram trôpegos, apressados, e o som dos meus sapatos no piso frio ecoava dentro de mim, como um lamento. Os corredores pareciam intermináveis — ou talvez fosse o tempo que, de repente, se arrastava mais lento, mais cruel.
Vi o pequeno jardim no centro do hall e fui até lá como quem procura ar antes de afundar. Meus joelhos cederam sobre o banco de pedra, e minhas mãos trêmulas repousaram no colo. Um suspiro escapou dos meus lábios — pesado, como se levasse co