Narrado por Lisa Deluca
Meu pai saiu do quarto em silêncio, e o som da porta se fechando atrás dele ecoou como um veredito. Um ponto final. Um prenúncio. Algo que selava o que eu, lá no fundo, já sabia.
Matteo ficou. Em silêncio, também. Ele não era bom com palavras — mas era bom com presença. E, às vezes, é tudo o que alguém precisa para não desabar por completo.
A confirmação da doença havia sido dita. Com todas as letras. Leucemia. Palavras que não doem só no ouvido — doem na alma.
Não era surpresa. Eu já desconfiava. Mas saber… ouvir… dar nome ao que me devorava por dentro… foi como morrer acordada. De novo.
Eu entendia o olhar do meu pai. Tinha o mesmo peso do que via no espelho. Ele havia perdido uma mulher assim. E agora, me via repetir o mesmo script cruel, como se o destino estivesse fadado a escrever sempre o mesmo final para as Deluca.
Passou-se uma semana.
Não me deixaram voltar para casa. O argumento era segurança, controle, cuidado. Mas eu sabia a verdade. Eles tinham me