Glauco dirigia rápido, mas tentava manter o controle. Amália, ao seu lado, segurava o cinto com uma mão e a barriga com a outra. Ele a observava de relance, o rosto levemente contorcido denunciava a dor que ela tentava esconder.
De tempos em tempos, ele pousava a mão sobre a dela, como quem quer passar segurança, embora o próprio coração estivesse em desordem.
Quando se aproximaram do centro, a avenida estava tomada por uma multidão. Glauco tentou reduzir, olhou em volta, mas não havia espaço para manobrar.
Nem retorno, nem rua paralela.
— Eu não acredito! Bufou, batendo a palma no volante. — Justo agora…
— Calma. Ppediu Amália, entre um suspiro e outro. — Quando verem o carro, vão sair.
— O que o prefeito dessa cidade está fazendo? Murmurou, irritado. — Uma multidão nessa hora, travando tudo...
Ele tentava avançar, desviando de um e outro, mas a cada metro parecia pior.
Foi quando ouviu Amália gemer baixinho. Olhou para ela, o olhar dela estava fixo na própria mão. Os dedos trêmulos