Ponto de Vista de Apolo
Acordei antes do sol.
O quarto ainda estava envolto pela penumbra azulada do amanhecer, aquele instante frágil entre a noite e o dia em que até os lobos mais ferozes parecem hesitar. Meu corpo estava desperto, mas minha mente… minha mente estava pesada, esmagada por pensamentos que não me deixaram dormir direito.
Mara dormia entre mim e Arthur.
Seu corpo estava relaxado, a respiração tranquila, como se nada no mundo pudesse tocá-la naquele momento. Um fio de cabelo escuro caía sobre o rosto sereno, e seus lábios estavam levemente entreabertos. Ela parecia em paz.
E foi isso que mais doeu.
Passei os olhos lentamente por ela, e então vi.
As marcas.
Não marcas de posse, não símbolos de amor — mas sinais visíveis do excesso, da força que eu não medi, do instinto que deixei dominar aquilo que deveria ter sido cuidado.
Meu peito se apertou violentamente.
— Droga… — murmurei em silêncio.
Minha mão pairou sobre o braço dela, mas não tive coragem de tocar. E