Ponto de Vista de Mara
O dia seguinte amanheceu estranho.
Não havia gritos, não havia alarmes, não havia presságios ecoando nos corredores da alcateia. O céu estava limpo, o vento suave, e tudo parecia seguir exatamente como deveria. Ainda assim, algo estava diferente. Não do lado de fora — mas dentro de nós.
Apolo e Arthur estavam silenciosos.
Tristes.
Carregavam nos ombros um peso invisível, e nos olhos, algo que eu reconhecia muito bem: culpa.
Desde que acordei naquela manhã, percebi que os dois evitavam me encarar por muito tempo. Quando nossos olhares se cruzavam, desviavam quase imediatamente, como se temessem encontrar algo que não estavam prontos para ver. A proximidade física ainda existia, mas havia uma distância emocional clara, dolorosa, quase palpável.
Eles sabiam.
Sabiam que haviam ultrapassado um limite naquela noite.
E sabiam, acima de tudo, que algo em mim havia mudado.
Eu fingia não notar.
Descia as escadas com calma, cumprimentava os membros da alcateia