Ponto de Vista de Mara
Era sábado.
Um daqueles dias em que o tempo parecia se arrastar devagar, como se estivesse me preparando para algo que eu ainda não conseguia nomear. A alcateia estava em movimento desde cedo. O cheiro de carne assada, pães frescos e ervas preenchia o ar, misturado às vozes animadas dos lobos que iam e vinham pelo pátio da casa do alfa.
Amanda iria trazer seu companheiro para apresentar à família.
Lucy fez questão de transformar aquilo em um grande evento. Desde o amanhecer, ela comandava a cozinha com uma energia quase obsessiva, como se cozinhar fosse a única forma de manter a mente longe das visões que insistiam em persegui-la. Vários membros da alcateia foram convidados, e o jantar prometia ser longo, farto e barulhento.
Eu, no entanto, permaneci no quarto.
Não por não me sentir parte da família — muito pelo contrário. Desde que voltei do refúgio dos meus pais, todos me tratavam com carinho, respeito e até reverência. Mas havia algo dentro de mim que e