O frio do corredor de obsidiana não demorou para cobrar a sua dívida. O vestido de seda preta — fino, inútil e ensopado pelo vapor infernal do quarto do Rei — grudou na minha pele, sugando o resto do calor que meu corpo ainda produzia. O choque térmico foi tão violento que o ardor nas minhas juntas parecia vidro moído se infiltrando pelos meus poros.
Eu estava encolhida no chão, as pernas abraçadas contra o peito, a espinha colada na porta pesada da qual eu tinha acabado de fugir. Minha respira