As portas da capela se abriram e o mundo pareceu desvanecer. Eu não via os lustres de cristal, os convidados da alta sociedade ou a raiva estampado no rosto de Dona Margarida. Meus olhos estavam fixos apenas no fim do corredor, onde Heitor me esperava.
Cada passo que eu dava sobre as pétalas de gardênia era um adeus à Lena que limpava o pó desta mansão, e um passo em direção à mulher que agora comandaria o destino dela. Mas o que me fazia tremer não era o poder; era o segredo que compartilhávamos desde o gabinete: nós três nos amávamos.
Quando Heitor segurou minha mão no altar, o calor da pele dele me atravessou como um choque. Julian estava ali, a poucos metros, com a câmera em mãos, mas o seu olhar era um abraço que me envolvia. Eu estava no centro de um furacão de devoção.
Heitor começou a falar, e as suas palavras foram como música tirando o meu fôlego:
— 'Helena... o mundo vê hoje o herdeiro dos Guimarães, mas o que eu vejo aqui é a minha verdade. Eu te entrego o meu nome, mas vo