O som dos pneus sobre o cascalho da entrada da mansão foi o último ruído daquela vida de aparências que deixamos para trás. Eu ainda usava o meu vestido de recepção, uma seda leve que substituíra o peso do altar, e a aliança de Helena Guimarães brilhava no meu dedo como uma promessa cumprida.
Para a sociedade, para os fotógrafos e para a amargura de Dona Margarida, Heitor e eu estávamos partindo sozinhos para uma villa isolada na costa. Mas, assim que dobramos a primeira estrada de terra, longe dos olhares curiosos, Heitor parou o carro.
A porta de trás se abriu e Julian entrou, rindo, jogando sua mochila de couro no banco e puxando a respiração como se estivesse respirando pela primeira vez em anos.
— Conseguimos — Julian disse, seus olhos encontrando os meus pelo retrovisor e depois os de Heitor. — Nós realmente conseguimos.
— A partir daqui, Lena — Heitor disse, soltando o nó da gravata e segurando a minha mão enquanto voltava a dirigir —, o mundo não tem mais olhos.
A viagem foi p