Ponto de vista do narrador
Era sexta-feira à tarde quando o carro preto de Carlos Alberto estacionou na garagem da mansão. Ele desceu com a mala de viagem na mão, o terno amassado de horas no avião, mas o olhar ainda afiado, como se nada o desgastasse de verdade. A casa estava quieta — Rebeca na escola, Cadu na faculdade com mais um trabalho em grupo, e Natália sozinha.
Ela estava na cozinha, preparando um lanche simples para Rebeca, quando ouviu o som da porta da garagem. O coração dela acelerou. Desde a última "conversa" no escritório, Natália evitava ficar a sós com ele, mas o peso das descobertas recentes a corroía por dentro.
Na noite anterior, Cadu, entre lágrimas e confidências, contara tudo sobre o pai e Beatriz — como descobrira, como aquilo o machucara.
Natália não dormira direito. Confrontaria Carlos Alberto? A dúvida a consumia.
Ele entrou na cozinha como se fosse dono — e era.
— Boa tarde, Natália — disse, a voz grave, o sorriso lento e singelo. — Senti sua falta.
Ela vi