Mundo ficciónIniciar sesiónLorena é uma pianista brilhante, dona de um talento capaz de emocionar qualquer plateia — e de esconder as dores que carrega desde a infância. Criada por um pai autoritário e violento, ela aprendeu cedo que a música seria seu único refúgio. Entre partituras e cicatrizes, tenta sobreviver a uma rotina marcada pelo medo, sem jamais perder a esperança de ser livre. Felipe é um empresário bem-sucedido do ramo de logística, conhecido pela frieza nos negócios e pela dificuldade de se envolver emocionalmente. Quando conhece Lorena, algo muda. A sensibilidade dela o desarma, e pela primeira vez ele se permite sentir algo real. Mas um mal-entendido — uma conversa ouvida pela metade entre Lorena e o pai — destrói o início do que poderia ser uma linda história. Convencido de que foi enganado, Felipe se afasta sem olhar para trás. A ausência dele tem um preço alto: sozinha e vulnerável, Lorena se torna novamente alvo da fúria do pai. O tempo passou. Ela se reconstrói em silêncio, tentando apagar o passado, enquanto Felipe segue sua vida sem conseguir esquecê-la completamente. Até que o destino, implacável, os coloca frente a frente mais uma vez. Entre o arrependimento dele e o medo dela, surgem as verdades que ficaram presas entre notas de piano e palavras não ditas. Agora, Felipe precisa decidir se tem coragem de ouvir o que o coração dele sempre soube — e Lorena, se consegue perdoar quem partiu quando ela mais precisava. Uma história sobre amor, culpa e a força de recomeçar, mesmo quando a vida insiste em desafinar o coração.
Leer másLorenaTrês semanas se passaram.Três semanas inteiras em Barcelona.E, se alguém tivesse me contado isso meses atrás, eu teria rido, achando impossível.Mas ali estava eu.Três semanas de teatro lotado.Três semanas ouvindo aplausos ecoarem pelo salão como ondas quebrando contra mim.No começo eu ainda esperava que, em algum dia, as cadeiras aparecessem vazias.Que o encanto acabasse.Que alguém dissesse que tinha sido só sorte.Mas não acabou.Cada noite era mais cheia que a anterior.Mais flores no camarim.Mais mensagens.Mais gente pedindo fotos, autógrafos, entrevistas.Entrevistas.Eu.Dando entrevistas.Meu nome em cartazes.Minhas fotos divulgadas nas redes do teatro, em jornais locais, em sites de cultura.Às vezes eu me pegava encarando a tela do celular, ampliando a própria imagem, tentando entender quando aquela garota insegura tinha se transformado naquela mulher ali.Foi um mês agitado. Intenso. Cansativo.E, ainda assim… um mês feliz.Quando achei que finalmente iríamo
Lorena— Lorena…Eu amava aquela voz rouca sussurrando no meu ouvido logo cedo.Ou tarde demais, pelo visto.Meu corpo ainda estava inteiro sensível. Cada centímetro parecia guardar a memória da noite anterior — dos toques demorados, dos beijos quentes, das mãos dele passeando por mim como se estivessem me decorando.Eu me sentia cansada.Mas daquele jeito delicioso.Eu estava satisfeita. — Acorda, querida… — ele murmurou.— Me deixa dormir… — resmunguei, afundando o rosto no travesseiro.Senti os lábios dele deslizarem pelas minhas costas nuas, em beijos preguiçosos, descendo devagar.Arrepiei inteira.— Acorda, linda… tenho uma coisa pra você.— Felipe… — puxei o cobertor até o queixo. — Me deixa…— Acorda ou a gente vai se atrasar.— Tá cedo ainda…Ele riu perto do meu ouvido.— Lorena… já são onze da manhã.Abri os olhos na hora.— O quê? Onze?!Sentei na cama assustada, o cabelo todo bagunçado, ainda meio perdida.Ele estava sentado ao meu lado, sorrindo, satisfeito demais.— Do
LorenaAplausos.Era só isso que eu conseguia ouvir.Aplausos e mais aplausos.O som ecoava pelo teatro inteiro, enchendo o espaço, vibrando no meu peito como se cada palma batesse direto no meu coração.Por alguns segundos eu fiquei parada, sentada diante do piano, as mãos ainda pousadas nas teclas, tentando entender que aquilo era real.Eles estavam de pé.De pé… por mim.Engoli em seco, curvei o corpo em agradecimento e sorri, completamente sem ar.Eu tinha conseguido.Assim que saí do palco, ainda meio tonta de adrenalina, Felipe apareceu no corredor dos bastidores. Os olhos dele brilhavam de um jeito que eu conhecia bem — orgulho puro.Ele segurou meu rosto e me deu um beijo rápido.— Você foi incrível, princesa.Ri, ainda ofegante.— Fui mesmo?— Claro que foi. Todo mundo adorou. Você tinha que ver a reação da plateia.Passei a mão pelo peito, tentando acalmar o coração.— Quanto você teve que pagar pra conseguir essa apresentação pra mim?Ele soltou uma risada.— Não paguei nad
LorenaEra sábado quando voltei de mais uma apresentação de piano.A terceira só naquela semana.Nos últimos três meses, minha agenda tinha virado um caos delicioso: convites importantes, teatros cheios, entrevistas, pequenas manchetes em sites de cultura. Às vezes eu me pegava rindo sozinha, incrédula.Eu nunca quis ser uma celebridade.Mas ver meu trabalho sendo reconhecido… isso, sim, significava tudo.Era como se, finalmente, anos de estudo, ensaios solitários e inseguranças estivessem valendo a pena.Assim que entrei em casa, larguei a bolsa no aparador, tirei os sapatos e me joguei no sofá.O corpo inteiro doía.Aquele cansaço bom. De missão cumprida.Fiquei ali, encarando o teto, lembrando do som dos aplausos, das luzes do palco, das pessoas me parando depois da apresentação.Minha vida estava… nos trilhos.Calma, estável e feliz.Coisa rara.— Sabe… — a voz do Felipe quebrou meus pensamentos.Virei o rosto e vi ele encostado na bancada da cozinha, mexendo no celular.— Eu esta
LorenaSexo não consertava nossos problemas. Eu sabia disso.Mas, naquele dia, foi como se tivesse acalmado tudo o que gritava dentro de mim.Talvez não resolvesse o mundo, nem o passado, nem as feridas que ainda carregamos — mas resolveu o agora. E, naquele momento, o agora era tudo o que eu precisava.Ficamos deitados em silêncio, embolados um no outro, as pernas entrelaçadas, a respiração ainda descompassada. A pele quente, suada, satisfeita. O coração, aos poucos, voltando ao ritmo certo.Eu estava encaixada no peito dele, ouvindo as batidas firmes do seu coração, como se aquele som pudesse me ancorar.Eu o amava.E a ideia de perdê-lo doía mais do que qualquer coisa.Eu queria nossa vida de volta.Queria o riso fácil na cozinha, os domingos preguiçosos, as discussões bobas sobre filmes, os finais de semana jogados no sofá. Queria nossa cumplicidade. Queria nós dois. Queria tudo com ele.O silêncio começou a pesar.— Você me perdoa mesmo? — perguntei baixinho, quase num sussurro
FelipeEu amava aquela mulher.Não era exagero, nem apego, nem costume.Eu amava de verdade.Talvez esse fosse o problema.Porque quanto maior o amor, maior a dor.Eu estava magoado, com ciúmes, cansado, irritado com o mundo inteiro — e, ao mesmo tempo, apavorado de perdê-la. Era um emaranhado de sentimentos que eu não conseguia organizar. Eu queria protegê-la, abraçá-la… mas também queria gritar, quebrar alguma coisa, culpar alguém.E acabei deixando essa confusão estragar tudo entre nós.Saí do trabalho mais cedo naquele dia porque não aguentava mais aquela vida de estranhos dividindo a mesma casa. Não era isso que eu queria. Eu queria minha rotina de volta. Queria ouvir ela me chamar de “amor” na cozinha, queria discutir filme no sofá, queria dormir abraçado.Queria minha mulher de volta.Quando cheguei em casa, o apartamento estava silencioso demais.Fui direto para o quarto e ouvi um choro baixo vindo do banheiro.Meu peito apertou.Empurrei a porta devagar… e congelei.Lorena es





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