Ponto de vista do narrador
O escritório de Carlos Alberto estava mergulhado em penumbra quando Carlos Eduardo entrou sem bater.
O pai levantou o olhar lentamente, a expressão controlada demais para alguém pego de surpresa. Ainda assim, algo no rosto do filho — rígido, pálido, os olhos escuros e febris — fez o ar do ambiente mudar.
— Precisamos conversar — disse Cadu, a voz baixa demais para ser calma.
Carlos Alberto fechou o arquivo que lia e apoiou as mãos na mesa.
— Agora não é um bom momento.
— É o único momento — respondeu o filho, avançando dois passos. — Porque se eu não falar agora, eu explodo.
O silêncio se estendeu como um fio prestes a arrebentar.
Cadu puxou o notebook da mochila e o colocou sobre a mesa com força. A tela ainda mostrava o nome do arquivo. Carlos Alberto reconheceu de imediato.
E não fingiu surpresa.
— Então você recebeu — disse o pai, frio — Antes do previsto mas ainda válido.
Aquilo foi o estopim.
— ANTES DO PREVISTO? VÁLIDO? VOCÊ ACHA QUE TUDO