Ponto de vista do narrador
A mansão estava silenciosa naquela noite, o tipo de silêncio que pesa. Carlos Alberto esperou até que Natália adormecesse — exausta da discussão anterior, da gravidez que a deixava sensível a tudo. Rebeca já dormia no quarto infantil.
Ele mandou uma mensagem curta para o filho:
Carlos Alberto: Meu escritório. Agora. Precisamos conversar de verdade.
Cadu apareceu minutos depois, o rosto ainda marcado pela raiva e pela dor da discussão anterior. Entrou sem bater, fechou a porta com força controlada e ficou de pé, os braços cruzados.
— Fala — disse, a voz baixa, mas carregada. — Mas se for mais mentira, eu saio daqui e não volto.
Carlos Alberto indicou a poltrona à frente da mesa.
— Senta.
Cadu hesitou, mas sentou-se, o corpo tenso.
Carlos Alberto respirou fundo, os olhos fixos no filho — olhos que, mostravam algo além de controle: arrependimento.
— Olga, sua mãe, namorava nós dois. Eu e Vítor.
Cadu piscou, o rosto endurecendo, mas não interrompeu.