Ponto de vista do narrador
A noite estava fresca quando os três deixaram a sorveteria. Rebeca seguia empolgada, segurando a mão de Natália com tanta força que parecia ter encontrado um porto seguro permanente. Carlos caminhava ao lado delas, rindo quando a irmã tropeçava nos próprios passos adocicados.
— Vamos, monstrinha do pistache — ele brincou, levantando-a no colo.
Natália sorriu com a cena. Tudo estava leve, alegre, até que Carlos parou de repente.
Um homem estava encostado discretamente no capô do carro deles. Alto, olhar firme, camisa social simples, barba por fazer. Havia algo no jeito dele — calculado, atento, como alguém que observava tudo e esperava exatamente por aquele momento.
— Carlos Eduardo? — perguntou, com voz firme, mas baixa.
Carlos franziu a testa.
— Quem é o senhor?
O homem deu um passo à frente e tirou um crachá do bolso interno da jaqueta. Não era policial. Mas era oficial. O nome impresso ali tinha peso:
Daniel Raven — Detetive Particular.
— Eu preciso falar