Ponto de vista do narrador
Aquela noite foi apenas o começo.
Depois que deixaram a sorveteria e a conversa com o suposto detetive ficou martelando na mente de Carlos Eduardo, o sono dele se tornou um campo de batalha.
Natália acordou assustada com um som abafado.
Levantou-se devagar, o corredor iluminado apenas pela claridade fraca da lua.
Quando se aproximou do quarto de Cadu, ouviu:
— Não… mãe… não… — a voz quebrada dele atravessou a porta.
O coração dela apertou.
Natália abriu a porta apenas o suficiente para enxergar.
Cadu se debatia no colchão, o rosto banhado de suor, a respiração curta e desesperada. Parecia lutar contra algo que só ele via. Quando ele despertou de súbito, atordoado, sentou-se com um movimento brusco, respirando como se estivesse emergindo de água gelada.
Ele passou a mão pelos cabelos, tremendo.
Então viu Natália.
— Natália… não — murmurou, a voz baixa e firme. — Vai dormir. Eu tô bem.
Ele não estava.
Mas virou o rosto, envergonhado, quebrado.
Natália fechou a